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Cuiabá 01/10/2018 08:10

Criminoso que aplicava 'boa noite cinderela' em pacientes com câncer em MT e outros cinco estados é preso em GO

Maior parte das vítimas eram idosos que aguardavam por atendimento em hospitais. Golpista já havia sido condenado a 120 anos de prisão por outros crimes.

 Francisco Francioni, de 67 anos, preso no dia 19 de setembro, em Alvorada do Norte (GO). Ele é suspeito de aplicar golpes em pacientes de hospitais, fazendo com que eles tomassem uma mistura conhecida como 'boa noite cinderela”. Após as vítimas desmaiarem, o golpista fugia com os pertences delas.

Francisco é natural de Santa Catarina está no crime desde a juventude. Ele já participou de sequestros, roubou bancos e por fim, aplicava golpes em pacientes de hospital diagnosticadas com alguma doença.

Em depoimento à polícia, ele confessou diversos crimes e disse que já foi condenado a mais de 120 anos de prisão.

“Muito dinheiro, nós peguemo dinheiro em saco. Meu passado é pesado, doutor”, disse ele.

Francisco Francioni passou mais de 20 anos preso, mas 2011, conseguiu fugir. Desde então, era procurado pela Justiça.

No entanto, foi recapturado há 11 dias, usando nome falso, em Goiás.

Criminoso foi preso no dia 19 de setembro, no interior de Goiás — Foto: Rede Globo/Reprodução

Criminoso foi preso no dia 19 de setembro, no interior de Goiás — Foto: Rede Globo/Reprodução

Segundo a polícia, o golpista agia principalmente em hospitais especializados no tratamento do câncer.

Ainda segundo a polícia, ele entrava nas salas em que pacientes aguardam por atendimento, puxava conversa e mentia. Dizia que tinha se curado da doença graças a um remédio caseiro, feito com ervas medicinais.

Uma das vítimas do golpista foi o operador de máquias Ênio Rodrigues Correia, de 52 anos, que estava em um hospital de Cuiabá, por causa de um nódulo no pescoço.

“Ele falou que era tenente aposentado do exército e que trabalhou muito com índios e, por isso, tinha uma receita de raizada que curava a doença em 15 dias.", contou.

A conversa entre Ênio e Francioni continuou do lado de fora do hospital.

“Dali a pouco, ele veio com um copo descartável, misturando um negocinho. No desespero da doença, peguei e bebi. Não lembro mais nada”, relatou Ênio.

Ênio desmaiou e Francioni fugiu levando o celular e a carteira da vítima, com dinheiro e o cartão do banco. Um prejuízo para o operador de máquinas, de R$ 7 mil. Além disso, Ênio ficou oito dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

“Os médicos me acharam lá quase sem pulso. Ainda bem que me socorreram, se não, eu tinha ido”, comentou.

Golpista, que também é acusado de roubo, diz ter pego muito dinheiro — Foto: Rede Globo/Reprodução

Golpista, que também é acusado de roubo, diz ter pego muito dinheiro — Foto: Rede Globo/Reprodução

O golpista também aplicou golpes, em Rio Verde (GO). Neste caso, a vítima aqui é um idoso de 63 anos.

Após fazer com que a vítima bebesse a mistura e fazer com ela desmaiasse, Francioni pegou a mochila o paciente. Dentro da bolsa estava a carteira do idoso, com R$ 500. A vítima só acordou depois de três dias.

O golpista se aproveitava especialmente de idosos. Outra vítima dele foi um morador de Rondonópolis, José Francisco, de 84 anos.

O idoso estava em frente ao Hospital Regional quando foi convencido a tomar o suposto remédio recomendado por Francioni.

A vítima também desmaiou e caiu no chão. O criminoso fugiu com R$ 350 que José tinha na carteira. O idoso ficou desacordado por três dias.

“Ele pensou que eu tinha mais dinheiro, mas eu não tinha. Ele queria pegar minha aposentadoria mas não tava comigo, tava em casa”, contou ele.

A polícia descobriu que o golpista aplicava o "boa noite, cinderela" em pelo menos seis estados, desde 2013.

Ao ser preso, Francisco Francioni alegou ser um trabalhador injustiçado, porém não soube dizer em que trabalhava. Interrogado novamente, ele confessou o crime.

“A casa caiu, não tem como mentir”, teria dito ele.

Para a polícia, ele revelou a substância que usava para dopar as pessoas. Disse que não usava apenas medicamento.

“Aí, colocava um pouquinho de cachaça pra dar uma reação e colocava um suco de laranja ou alguma coisa”, disse o golpista à polícia.

Exame toxicológico

O médico toxicologista Anthony Wong examinou a substância usada pelo criminoso.

“Algumas pessoas, por causa da idade ou por causa de doença de base têm uma depressão mais profunda, então, consumir uma substância como essa, pode resultar num coma ou até numa parada respiratória”, explicou.

Mais vítimas

Francisco Francioni também enganou Valderlei Missau, de 69 anos, de Cuiabá, que tinha ido ao hospital fazer um exame de próstata. Depois de tomar o falso medicamento, a vítima foi com o golpista ao shopping.

Quando o idoso desmaiou, o golpista finge ajudá-lo, mas quando a equipe de socorro do estabelecimento chega, ele vai embora levando a carteira e uma pasta da vítima.

O caso de Vanderlei, que era servente de pedreiro, foi ainda mais grave: ele morreu, três dias após ter ingerido a substância.

Vandereli Missau foi uma das vítimas do golpista e morreu após ingerir o falso remédio — Foto: Rede Globo/Reprodução

Vandereli Missau foi uma das vítimas do golpista e morreu após ingerir o falso remédio — Foto: Rede Globo/Reprodução

O Fantástico conversou com uma sobrinha de Vanderlei.

“Ele teve parada cardíaca, depois teve morte cerebral. Infelizmente não teve mais como fazer nada”, disse ela.

A filha de Vanderlei, Marianny Missau também falou com a equipe do Fantástico. Ela disse que o sonho do pai era vê-la formada em Direito.

“O que mais me dói é saber que alguém tirou a vida dele antes que eu completasse 18 anos, antes que ele pudesse realizar o sonho de me ver formando”, lamentou.

O delegado Eduardo Rizzoto de Carvalho, da Delegacia de Roubos e Furtos de Cuiabá, disse que, pelo menos, 20 pessoas foram vítimas do golpista. Dessas, três morreram após tomarem o suposto medicamento.

“São crimes muito graves. As penas que ele pode pegar, somente em Cuiabá, podem chegar a 80 anos de prisão”, disse o delegado.

À polícia, Francioni diz que pensa nos crimes que cometeu.

“Eu tenho uma dor de consciência, mas não adianta eu querer voltar atrás. Essa é a minha vida”, disse o criminoso.

O administrador do Hospital de Câncer de Cuiabá, Raphael Ferreira Santana, diz que busca orientar os pacientes a seguir apenas as orientações médicas.

“Sempre orientamos aos pacientes e aos acompanhantes para não aceitar orientações ou seguir informações de outra pessoa que não seja o médico responsável”, concluiu.

Da TV Centro América


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