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EFEITO BERERÉ 12/03/2018 13:57

Taques: Chefe da Casa Civil não pode advogar, mas escritório pode

Governador diz que não irá carregar fardo que não é seu e que denunciou esquema quando era senador

 O governador Pedro Taques (PSDB) sugeriu não ver irregularidades na possibilidade de o escritório do ex-secretário chefe da Casa Civil Paulo Taques ter sido contratado pela empresa EIG Mercados (antiga FDL) um dia após o resultado da eleição vencida por ele, em 2014.

A empresa é alvo da Operação Bereré, do Gaeco, deflagrada no mês passado e que apura esquema de fraude, desvio e lavagem de dinheiro no Detran-MT, na ordem de R$ 27,7 milhões.

Questionado sobre o assunto, durante um evento em Cuiabá, na manhã desta segunda-feira (12), Taques disse não ver crime em advogar. Paulo Taques é primo do governador.

“O que essas pessoas falaram e o que eu li na imprensa foi que o escritório do ex-chefe da Casa Civil advogava para eles. Se advogar é crime... Se tiver fato errado, tem que ser investigado”, afirmou, referindo-se ao depoimento dos empresários Marcelo da Costa e Silva e Roque Anildo Reinheimer, sócios da empresa Santos Treinamento.

Não vou carregar carga que não é minha. Todos sabem que o escândalo do Detran, eu combati desde quando ainda era senador

“Agora, chefe da Casa Civil não pode advogar. Mas isso não significa que escritório não possa advogar”, completou.

Não se alongando no assunto, o governador ressaltou que, enquanto senador, em 2012, encaminhou ao Ministério Público Estadual um ofício no qual repassava denúncia de supostos casos de corrupção no Detran-MT.

“Eu não vou carregar carga que não é minha. Todos sabem que o escândalo do Detran eu combati desde quando ainda era senador da República”, resumiu.

O depoimento

Segundo as investigações, parte dos valores repassados pelas financeiras à EIG por conta do contrato com o Detran retornava como propina a políticos, dinheiro esse que era “lavado” pela Santos Treinamento.

No depoimento de Marcelo Costa e Silva à Defaz, consta que no final de 2014 o empresário foi chamado pelo sócio Roque Reinheimer para uma reunião em Brasília na casa de José Ferreira Gonçalves Neto, um dos sócios da EIG Mercados.

Na reunião, conforme a oitiva, José Neto apresentou a eles Valter José Kobori, que passaria a ser o novo CEO (diretor executivo) da EIG, “sob a alegação de que o ex-CEO da FDL de nome Merison havia deixado o cargo”.

De acordo com o depoimento, o novo diretor executivo deixou claro na reunião que a questão administrativa e política da empresa ficaria a cargo dele, pois teria estudado no Colégio São Gonçalo com Jorge Taques, irmão e sócio do advogado Paulo Taques.

“Bem como que Jorge Taques havia sido seu advogado quando de sua separação e que assim iria ser o responsável pelas tratativas da manutenção do contrato perante o novo Governo que, segundo as pesquisas, seria vencida por Pedro Taques, primo de Paulo Taques”.

Marcelo Costa relatou que, posteriormente, Valter Kobori esteve em Cuiabá para tentar alterar o modelo de negócio do contrato da EIG com o Detran, visando aumentar o custo operacional “com a contratação de consultoria jurídica, contabilidade, aluguéis, bem como outras despesas extras de modo a diminuir o lucro da empresa Santos, superfaturando os serviços”.

Contudo, os sócios da Santos Treinamento não aceitaram essas alterações, motivo pelo qual Marcelo Costa disse ter tido uma “briga feia” com Valter Kobori.

“Posteriormente eu vim a tomar conhecimento que, mesmo antes dessa briga, descobri através de uma procuração de substalecimento datada de 06/10/2014, ou seja, um dia após a eleição, que Kobori havia substabelecido os serviços jurídicos da FDL para o escritório de Paulo Taques, corroborando o que Kobori havia dito para mim quando alegou ser amigo de Jorge Taques e por isso influencia no Governo”.

Já no início da nova gestão, em janeiro de 2015, Marcelo Costa disse que a EIG parou de repassar os lucros devidos à Santos Treinamento, “deixando evidente que dessa forma os repasses deixaram de ser pagos para a Santos atender outros interesses”.

Em nota, o escritório Zamar Taques Advogados Associados e o advogado Paulo Taques afirmaram que nunca prestaram serviços à empresa EIG Mercados ou sua antecessora FDL Serviços e que jamais receberam procuração ou substabelecimento para que assim o procedessem, sendo que "nunca firmaram contrato de assessoria jurídica com tais empresas".

 MidiaNews


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