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BRASÍLIA 17/05/2018 07:14

Alckmin e Bolsonaro disputam votos de ruralistas em feira agropecuária

Pré-candidato foram ao Agrobrasília nesta quarta-feira (16)

 Dois dos pré-candidatos à Presidência Geraldo Alckmin (PSDB) e Jair Bolsonaro (PSL) disputaram nesta quarta-feira (16) a atenção de produtores rurais em uma feira de tecnologia agropecuária no entorno de Brasília.

Sem divulgar sua agenda, Bolsonaro foi o primeiro a chegar à AgroBrasília, feira que, no ano passado, movimentou R$ 710 milhões em negócios, segundo a organização do evento.

Ao conversar com jornalistas especializados em agronegócio adotou discurso que agrada produtores rurais.

Disse que as ações do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) deveriam ser tipificadas como terrorismo, defendeu que a liberação de defensivos agrícolas não seja decidida pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária, vinculada ao Ministério da Saúde), mas apenas pelo Ministério da Agricultura, sob influência de ruralistas.

Bolsonaro também voltou a defender o armamento dos produtores rurais.

"Se depender de mim, o homem do campo vai ter fuzil em sua propriedade. Acho que isso não é ser radical", disse, sendo interrompido por gritos de "mito".

"É você ser irresponsável e inconsequente deixar o homem do campo desarmado, à mercê de MST e outro tipo de bandidagem", concluiu.

Mais tarde, ao deixar a feira, uma nova entrevista foi interrompida inúmeras vezes por pessoas que queriam fazer selfies com o pré-candidato que aparece com 15% a 17% de intenção de voto em todos os cenários pesquisados pelo Datafolha.

Questionado sobre a união de partidos de centro como DEM, PP, SD, PRB e PSC para tentar fazer um candidato e montar um bloco com poder de negociar espaços no governo com o futuro presidente, Bolsonaro foi irônico.

"Estão se unindo para levar um tiro só", afirmou, antes de colocar um chapéu de ráfia na cabeça para mais fotos.

Sobre a posição de Ciro Gomes, que aparece entre 5% a 9% nos cenários apresentados pelo Datafolha, ele disse não estar preocupado.

"Entrei em campo para ser campeão. Quem entrar em campo a gente traça", disse o pré-candidato do PSL.

Bolsonaro reconheceu que pode ser obrigado a montar uma chapa puro-sangue, mas demonstrou interesse em uma aliança com o partido do senador Magno Malta (ES), o PR, que tem 41 deputados e poderia somar 45 segundos de tempo de TV aos 8 segundos que o presidenciável tem sozinho.

"Vamos supor que o PR queira compor comigo ofertando o Magno Malta que, para mim, seria excepcional. A depender de mim, ele seria [vice em sua chapa] a partir de hoje", disse Bolsonaro, que deixou a feira sem se encontrar com Alckmin.

"Se encontrasse ele, desejar-lhe-ia boa sorte e poucos votos", ironizou.

ALCKMIN

Para evitar o encontro com o adversário, o pré-candidato tucano atrasou sua chegada em quase duas horas.

Assim que apareceu, antes de também vestir um chapéu de ráfia e subir em um carrinho de golfe com adesivo de "exclusivo para deficientes, idosos e gestantes", foi instado a apresentar uma contraproposta ao armamento de camponeses.

"Cada produtor rural deve ter um trator para poder produzir, alimentar o povo, melhorar a produtividade", afirmou, considerando também "intolerável" a invasão de propriedades.

"Invadiu, desinvade", disse o tucano, questionado também sobre Funrural, imposto que incide sobre a receita da comercialização da produção rural.

No campo da política, Alckmin negou ter conversado com o presidente Michel Temer depois que ele disse ao G1 estar sendo procurado com insistência pelos tucanos.

Ele também afirmou que não conversou com Rodrigo Maia (DEM-RJ), após a entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo em que o presidente da Câmara e pré-candidato à Presidência da República disse que a aliança entre DEM e PSDB estava chegando ao fim.

"Nós respeitamos", limitou-se a comentar Alckmin, que nesta quarta-feira ainda se encontraria em Brasília com um representante do Pros.

Na feira, o ex-governador de São Paulo tirou fotos com eleitores, parou para tomar cafezinho, experimentar churrasco, caminhar por um campo de flores e posar com bois. A pedido de jornalistas, subiu em uma rampa de madeira suja com fezes de gado para ser fotografado diante de girassóis.

Ao passar pela "Barraca da Honestidade", estande de um grupo ligado à maçonaria, Alckmin acenou e prometeu voltar, o que não aconteceu.

Quando passava de carrinho pela exposição ouviu um grito de "é Bolsonaro". Ignorou.

O estudante de administração Francisco Cenci, 24, trajava uma camisa onde se lia "Bolsonaro presidente". Vestiu a roupa pelo avesso para posar com Alckmin.

"Estou em dúvida ainda", explicou o jovem.

Da Folhapress


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