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Confira o ranking dos estados com mais crianças e adolescentes desaparecidos, MT aparece em 7º

Os dados mostram que o problema não se distribui de forma homogênea pelo território nacional.

    O Brasil registrou 23.919 casos de desaparecimento de crianças e adolescentes em 2025, segundo dados encaminhados pelos estados e pelo Distrito Federal ao Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp). Os números, consolidados no Painel Oficial de Pessoas Desaparecidas e Localizadas, revelam não apenas a dimensão do problema, mas também fortes desigualdades regionais, evidenciadas no ranking de estados com as maiores taxas de desaparecimento.

Quando a análise considera a taxa de desaparecidos por 100 mil habitantes, e não apenas o volume absoluto de registros, estados com população menor passam a ocupar o topo do ranking. Roraima lidera a lista, com 40 crianças e adolescentes desaparecidos por 100 mil habitantes, seguido pelo Rio Grande do Sul, com 28, e pelo Amapá, com 24. Esses índices colocam os três estados como os mais críticos do país nesse recorte específico.

Os dados mostram que o problema não se distribui de forma homogênea pelo território nacional. Estados mais populosos, como São Paulo, concentram o maior número absoluto de registros, enquanto unidades federativas menores apresentam taxas proporcionalmente mais elevadas, o que indica maior impacto social e desafios adicionais para as políticas públicas locais.

No ranking nacional de desaparecimentos em todas as faixas etárias, São Paulo aparece em primeiro lugar, com 20.546 registros em 2025, o equivalente a 24% de todos os casos do país. A taxa paulista é de 44,59 desaparecidos por 100 mil habitantes, o que mantém o estado entre os mais afetados mesmo quando considerada a proporção populacional.

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Na sequência aparecem Minas Gerais, com 9.139 casos (taxa de 42,72), e o Rio Grande do Sul, que além de ocupar a terceira posição em números absolutos, com 7.611 registros, apresenta uma das taxas mais altas do ranking: 67,75 desaparecidos por 100 mil habitantes.

Tabela: Ranking de Desaparecimentos por Estado (2025)

EstadoTotal de CasosTaxa (por 100 mil hab.)
Roraima57778,10
Distrito Federal2.23574,58
Rio Grande do Sul7.61167,75
Espírito Santo2.42158,66
Rondônia1.01858,11
Paraná6.45554,29
Mato Grosso2.11254,24
Santa Catarina4.31752,73
Amapá40850,59
Goiás3.63148,91
Acre41346,70
São Paulo20.54644,59
Minas Gerais9.13942,72

O painel do Sinesp aponta ainda um recorte de gênero relevante. Mais de 60% das crianças e adolescentes desaparecidos em 2025 são do sexo feminino. Do total de registros nessa faixa etária, 14.658 eram meninas (61%), enquanto 9.159 eram meninos (38%). Em 102 casos, o sexo não foi informado.

O dado contrasta com o cenário geral dos desaparecimentos no país. Considerando todas as idades, 59% dos desaparecidos são homens, o que indica dinâmicas distintas entre o público infantojuvenil e a população adulta.

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Para a coordenadora de Políticas sobre Pessoas Desaparecidas, Iara Buono Sennes, a diferença é um alerta importante, mas ainda insuficiente para conclusões definitivas. “Temos dificuldade em qualificar as causas do desaparecimento e entender motivações e causalidades. A política de pessoas desaparecidas ainda é recente e precisa avançar, especialmente no diálogo com os estados, para captar as diferenças regionais e de gênero”, afirma.

Em 2025, o Brasil registrou mais de 84 mil pessoas desaparecidas, considerando todas as faixas etárias — o maior número desde o início da série histórica, em 2015. O total representa uma média de 66 desaparecimentos de menores de 18 anos por dia, um crescimento de 8% em relação a 2024, quando a média era de 60 registros diários.

Após a queda observada durante a pandemia de Covid-19, os números voltaram a subir de forma consistente, reforçando a necessidade de políticas públicas mais estruturadas e integradas.

Ferramentas de alerta e desafios

Casos recentes, como o desaparecimento dos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, no interior do Maranhão, evidenciam a gravidade do problema. Situações consideradas de risco têm acionado o Alerta Amber, protocolo implementado no Brasil em 2023, que utiliza plataformas como Facebook e Instagram para divulgar informações das vítimas em um raio de até 200 quilômetros.

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