‘É preciso se unir contra a ascensão do movimento de direita’, diz Gilberto Gil
Não há opção para nada diferente.” Ele conta que se reúne com Lula para discutir política e reafirma seu compromisso com a esquerda.

O cantor e compositor Gilberto Gil, de 83 anos, afirmou em uma longa conversa com o jornal britânico Financial Times que sua fase de se apresentar para multidões em estádios ficou no passado. “Enquanto eu puder me apresentar para públicos menores, acho que não consigo parar”, disse o artista, que tem um show marcado em Londres para julho. A reportagem revisita sua trajetória, desde os tempos de aprendiz na Unilever até o ministério da Cultura e os dias atuais.
Sobre a possibilidade de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) concorrer a um quarto mandato nas eleições de outubro, Gil foi direto: “Vemos muitos dos mesmos nomes, os mesmos conceitos. Não há opção para nada diferente.” Ele conta que se reúne com Lula para discutir política e reafirma seu compromisso com a esquerda.
“É preciso se unir contra a polarização da política no Brasil e a ascensão do movimento de direita. A esquerda entende melhor seu propósito, está mais interessada no progresso e em um futuro brasileiro.”
Tropicália, AI-5 e a prisão de Gil e Caetano
O artista também relembrou o impacto do lançamento do disco “Tropicália ou Panis et Circensis”, no mesmo ano em que o regime militar instituiu o AI-5, que deu início ao período mais repressivo da ditadura. Gil disse que ele e seu grupo — Caetano Veloso, Os Mutantes e Tom Zé — sabiam que poderiam “ser perseguidos, porque o regime era muito duro e se opunha à liberdade que desejávamos” .
“Tínhamos que esperar uma reação deles, mas não imaginávamos que seria tão forte.”
A reportagem lembra que Gil e Caetano foram presos pelos militares e passaram dois meses detidos, inclusive em confinamento solitário. O cantor, no entanto, explica que eles não tinham a pretensão de se tornar ativistas — apenas queriam se divertir.
“Fomos forçados a nos envolver na política, ela nos encontrou. Tivemos que lutar contra a ditadura, tivemos que lutar para restabelecer a democracia.”
A entrevista também resgata o período em que Gil trabalhou como aprendiz na Unilever, antes de se tornar um dos maiores nomes da música brasileira.
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