Sem Lula, Mercosul e União Europeia assinam acordo histórico de livre comércio neste sábado
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) será o único chefe de Estado do Mercosul ausente do encontro.

O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia será oficialmente assinado neste sábado (17), a partir das 12h, durante cerimônia no Gran Teatro “José Asunción Flores”, do Banco Central do Paraguai, em Assunção. Considerado um dos maiores tratados de associação do mundo, o pacto envolve cerca de 25% do Produto Interno Bruto (PIB) global e cria um mercado potencial de até 780 milhões de consumidores.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) será o único chefe de Estado do Mercosul ausente do encontro. O Brasil será representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Apesar da ausência, Lula foi um dos principais articuladores do acordo nos últimos anos e, na sexta-feira (16), reuniu-se no Rio de Janeiro com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e com o presidente do Conselho Europeu, Antonio Costa, em gesto político para consolidar os avanços das negociações.
A assinatura formal será feita pelos chanceleres dos países-membros do Mercosul e por representantes da União Europeia, uma vez que, no bloco europeu, os ministros são os signatários oficiais dos tratados. Pelo Mercosul, assinam Rubén Ramírez Lezcano (Paraguai), Pablo Quirno (Argentina), Mauro Vieira (Brasil), Fernando Aramayo (Bolívia), Mario Lubetkin (Uruguai) e Javier Martínez-Acha. Pela União Europeia, o documento será rubricado pelo comissário de Comércio, Maroš Šefčovič.
Estarão presentes na cerimônia os presidentes Javier Milei (Argentina), Rodrigo Paz (Bolívia), Yamandú Orsi (Uruguai) e Santiago Peña (Paraguai), anfitrião do evento e atual presidente pro tempore do Mercosul. O presidente do Panamá, José Raúl Mulino, também participará, apesar de o país ter status de associado ao bloco sul-americano.
O presidente argentino Javier Milei deve chegar a Assunção por volta das 11h e está previsto que faça um pronunciamento às 13h, destacando suas expectativas para o comércio entre os blocos nos próximos anos. O acordo atende à defesa de abertura comercial que Milei vem sustentando em encontros regionais recentes.
O tratado prevê a eliminação progressiva de mais de 90% das tarifas bilaterais, além da redução de barreiras não tarifárias e da harmonização de regras em áreas como investimentos, propriedade intelectual, normas sanitárias e padrões técnicos. Atualmente, o comércio entre Mercosul e União Europeia supera 111 bilhões de euros anuais.
Para o Mercosul, o acordo pode ampliar o acesso a um dos mercados de maior poder aquisitivo do mundo, beneficiando especialmente o setor agroindustrial e as exportações de alimentos, minerais e produtos manufaturados. Já para a União Europeia, o pacto fortalece sua presença na América do Sul, diversifica fornecedores estratégicos e reduz a dependência de mercados asiáticos. Estimativas indicam que empresas europeias podem economizar até 4 bilhões de euros por ano com a redução de tarifas, enquanto os investimentos diretos europeus no Mercosul tendem a crescer significativamente.
Apesar do potencial econômico, o acordo enfrenta desafios. Setores industriais do Mercosul, como têxtil, calçadista e metalmecânico, devem enfrentar maior concorrência europeia, enquanto agricultores europeus demonstram preocupação com a entrada de produtos sul-americanos. Além disso, exigências ambientais da União Europeia, como regras contra o desmatamento, rastreabilidade e direitos trabalhistas, exigirão adaptações e investimentos por parte dos países do Mercosul.
A entrada em vigor do tratado ainda depende da ratificação pelos parlamentos nacionais. Na União Europeia, a resistência de alguns países pode atrasar o processo. Como alternativa, está em discussão a adoção de um acordo interino, que permitiria a aplicação imediata da parte comercial, desde que aprovado pelo Parlamento Europeu e ratificado pelos países do Mercosul.
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