Após chamar Lula de mau-caráter e mentiroso, lobista avisa: não falou 1% do que sabe
Luchsinger também manifesta temor pela própria vida e pela de suas filhas, diz que falou “de peito aberto e sabendo das consequências” e avisa que, se tentarem desacreditá-la com provas, mostrará que estão mentindo.

No dia seguinte à entrevista explosiva que concedeu, a empresária e lobista Roberta Luchsinger publicou neste domingo (18) um vídeo nas redes sociais em que reafirma as declarações feitas no sábado (17) e que “não foi nem 1% do que de fato” sabe e consta nos inquéritos da Polícia Federal em que é investigada.
No vídeo de cerca de três minutos, gravado em seu perfil no Instagram, Luchsinger diz ter recebido mensagens tentando desacreditá-la após a entrevista. Ela rebate a palavra “pilantra”, usada publicamente por Lula (PT) para se referir a ela, e declara: “Tô passando aqui pra reafirmar tudo que eu falei. Pra dizer que eu só não falei mais, só não apresentei os fatos ali durante a entrevista por um único motivo: existem três inquéritos que correm sob segredo de Justiça. Tudo que eu falei está dentro do inquérito.”
A empresária acrescenta que não é “louca de falar algo tão sério cujo eu não tenha prova” e que “as pessoas que eu citei sabem muito bem que eu não estou mentindo e que eu tenho prova disso”. Ela afirma que “não adianta um, dois, três, dez, tentar contradizer o que eu disse, porque o que eu disse não foi nem 1% do que de fato eu sei e de fato está dentro do inquérito”.
Luchsinger também manifesta temor pela própria vida e pela de suas filhas, diz que falou “de peito aberto e sabendo das consequências” e avisa que, se tentarem desacreditá-la com provas, mostrará que estão mentindo. “Se alguém vier me bater, vai levar, porque eu comecei, eu não vou parar”, afirmou, destacando que “a única coisa que eu tenho é o meu nome” e que suas filhas dependem dela. Ela encerra pedindo que “não tentem nada contra mim e nada contra as minhas filhas”.
Na entrevista à CNN, exibida no sábado à noite e conduzida pelos jornalistas Débora Bergamasco e Iuri Pitta em seu apartamento em São Paulo, Luchsinger havia feito declarações de forte teor acusatório. Ela afirmou que não é sócia de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, e sim “sócia do Lula”. Chamou o presidente de mentiroso, canalha, covarde e mau-caráter por ter negado conhecê-la e por tê-la insultado, chamando-a de “pilantra”. Disse ainda que Lulinha se reuniu inúmeras vezes com ministros do governo do pai — inclusive tendo viajado para a casa do ministro Camilo Santana, no Ceará — e que Lula mente ao afirmar o contrário. Manifestou o desejo de firmar acordo de delação premiada e declarou que não pouparia nem o presidente nem o filho, alegando ter informações que vão além das mensagens de WhatsApp já conhecidas pelas autoridades.
Luchsinger e Lulinha são investigados pela Polícia Federal em inquéritos que apuram sua relação com o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, e com Lulinha, sob suspeitas de tráfico de influência e outros ilícitos ligados a negócios com o governo federal. Parte dos procedimentos corre em segredo de Justiça. Ela contesta as acusações, afirma não ter relação com o esquema de fraudes no INSS e diz ter sido apoiadora histórica de Lula, inclusive quando ele esteve preso em 2018. O presidente, por sua vez, negou publicamente conhecê-la e manteve contato com ela, apesar da existência de fotografias dos dois juntos, e classificou as declarações dela como desconhecidas, em nota da Presidência. As investigações seguem em andamento e as afirmações da empresária ainda não foram comprovadas em juízo.
O vídeo de Luchsinger, que circulou rapidamente nas redes (incluindo republicações como a do deputado Gustavo Gayer), amplia o impacto das declarações feitas na véspera, a poucos dias do segundo turno das eleições, e mantém a expectativa sobre eventuais novos desdobramentos nos inquéritos.
![]()





