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Empresário faz teste com escala 5×2, mas desiste após resultado

Marcos Livi, sócio-fundador do grupo Bah, disse que entendimento do modelo pelos colaboradores foi difícil

     O chef e empresário gaúcho Marcos Livi, sócio-fundador do grupo Bah, afirmou que promoveu a implementação da escala 5×2 em parte de seus negócios, mas que a medida não teve o resultado esperado e acabou sendo revertida após testes realizados no primeiro trimestre deste ano.

Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, Livi contou que adotou o modelo em caráter experimental em cinco restaurantes e um hotel, entre janeiro e março, mas que a experiência foi ruim. Atualmente, o empresário administra oito negócios e emprega mais de 150 funcionários.

Segundo ele, a principal dificuldade esteve na adaptação dos funcionários à nova rotina. Como a carga horária semanal foi mantida em 44 horas, houve necessidade de ampliar a jornada diária.

– O entendimento [da escala 5×2] pelos colaboradores foi dificílimo. Como a jornada de trabalho continuou de 44 horas, isso fez com que aumentasse em uma hora a carga nos dias trabalhados, o que mexeu na rotina das pessoas – declarou.

De acordo com Livi, a mudança impactou principalmente funcionários com filhos ou compromissos educacionais, já que a extensão do expediente alterou horários pessoais e familiares. Participaram do teste os restaurantes Brique, Quintana Bar e Veríssimo Bar, em São Paulo; o restaurante Vistta, em Santa Catarina; e o Cozinha Ana Terra, localizado no hotel Parador Hampel, no Rio Grande do Sul.

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O empresário também afirmou que o modelo trouxe impactos financeiros e operacionais.

– Houve redução na gorjeta paga pelo cliente, afinal [no 5×2] tem que dividir por um número maior de colegas de trabalho. E a produtividade do negócio também caiu, porque para cada dois colaboradores eu tinha que ter um terceiro que cobrisse as folgas – declarou.

Segundo Livi, a decisão de testar o novo formato foi tomada para avaliar, na prática, possíveis efeitos de uma eventual mudança legal no país em meio ao debate sobre o fim da escala 6×1. Após três meses, no entanto, a decisão tomada foi de retornar ao modelo anterior, o que, segundo ele, “deixou a equipe aliviada”.

O empresário também criticou propostas de mudança na jornada de trabalho defendidas por setores alinhados ao governo Lula e classificou a pauta como “eleitoreira”. Na avaliação dele, alterações obrigatórias podem gerar redução na qualidade dos serviços e impacto sobre empregos.

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