Após desgastes, Lula tira Sidônio do núcleo da campanha
Ministro segue na Secom, mas não vai atuar na campanha eleitoral, diz jornal

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu manter o ministro Sidônio Palmeira na Secretaria de Comunicação Social (Secom), mas afastá-lo do núcleo que comandará sua campanha à reeleição. A decisão ocorre após meses de desgastes entre os dois e de disputas internas entre integrantes da equipe de comunicação. Sidônio continuará trabalhando no Palácio do Planalto.
Apesar de ficar fora da rotina da campanha, o ministro deve continuar dando opiniões sobre as estratégias eleitorais. A coordenação ficará sob responsabilidade de Raul Rabelo, sócio de Sidônio. Lula, segundo aliados, já afirmou que não quer um comando dividido e pretende definir claramente as funções de cada integrante.
A mudança ocorre em meio a conflitos entre grupos que atuam na comunicação do presidente. De um lado estão Sidônio e profissionais ligados a ele, como Raul Rabelo e Chico Kertész. Do outro, estão a jornalista Nicole Briones e o fotógrafo Ricardo Stuckert, que trabalham há anos com Lula e defendem uma comunicação mais voltada ao confronto político.
– Estou aqui para ajudar o presidente e enfrentar a extrema-direita – afirmou Sidônio ao jornal O Globo.
O ministro também acumulou episódios de divergência com Lula. Em um deles, o presidente criticou o tom de uma peça publicitária da Secom, o que gerou uma discussão entre Sidônio e o então chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola. Sidônio nega que tenha ocorrido um bate-boca e afirma que houve apenas diferenças de posição.
Em abril, Lula voltou a cobrar o ministro após receber um relatório sobre as redes sociais do governo. O presidente questionou a presença de conteúdos sobre animais, como gatos e capivaras, e a pouca exposição de sua imagem. Sidônio respondeu que as regras brasileiras impõem limites à promoção pessoal de autoridades.
A saída de Sidônio do núcleo central também ocorre após Marcola deixar a coordenação da campanha, em meio à divulgação de que recebeu dinheiro da empresária Roberta Luchsinger. Aliados de Lula avaliam que o ministro ainda terá influência, mas o presidente quer evitar decisões compartilhadas. A estratégia eleitoral deverá comparar os governos de Lula e Jair Bolsonaro, além de abordar a soberania nacional e a relação com os Estados Unidos.
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