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Após reunião de quase três horas, Trump fala em “grande progresso” com Putin; confira os detalhes

Trump destacou que não concordaria em afirmar a conquista russa de territórios ucranianos, deixando a decisão sobre concessões para Kyiv.

     O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira que ele e o presidente da Rússia, Vladimir Putin, fizeram “grande progresso” em direção ao fim da guerra na Ucrânia, após se reunirem por quase três horas no Alasca. Ao mesmo tempo, Trump alertou: “não há acordo até que haja acordo”.

Trump, 79, e Putin, 72, não divulgaram detalhes de um eventual entendimento preliminar, mas o líder americano afirmou que ligaria para o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, e para aliados europeus para discutir negociações.

“Há muitos, muitos pontos em que concordamos, a maioria deles”, disse Trump em coletiva à imprensa, onde nenhum dos dois líderes respondeu a perguntas. “Diria que há um ou outro ponto grande em que ainda não chegamos lá, mas fizemos algum avanço. Então, não há acordo até que haja acordo. Vou ligar para a OTAN em breve, vou ligar para as pessoas que considero apropriadas e, claro, para o presidente Zelenskiy para contar sobre a reunião de hoje. No final, a decisão é deles.”

Putin, por sua vez, descreveu o encontro como produtivo e afirmou que os líderes haviam chegado a “um acordo” ou “acordos”, sem dar detalhes. Ele acrescentou: “Espero que os acordos de hoje sejam o ponto de partida não apenas para a solução da questão ucraniana, mas também para nos ajudar a retomar relações pragmáticas e de negócios entre Rússia e EUA.”

“Gostaria de acreditar que o acordo que alcançamos juntos nos ajudará a aproximar esse objetivo e abrirá o caminho para a paz na Ucrânia”, disse Putin. “Esperamos que Kyiv e as capitais europeias percebam isso de forma construtiva e que não atrapalhem o processo.”

Horas antes do encontro, Trump havia declarado que qualquer resultado que não incluísse um cessar-fogo imediato seria insatisfatório. “Quero ver um cessar-fogo rapidamente. Não sei se será hoje, mas não vou ficar feliz se não for hoje”, afirmou o presidente a jornalistas a bordo do Air Force One, a caminho do Alasca. “Todos disseram que não poderia ser hoje, mas eu só digo: quero que a matança pare. Estou aqui para acabar com a matança.”

Trump destacou que não concordaria em afirmar a conquista russa de territórios ucranianos, deixando a decisão sobre concessões para Kyiv. “Tenho que deixar a Ucrânia tomar essa decisão. Acho que eles vão tomar a decisão correta. Mas não estou aqui para negociar pela Ucrânia. Estou aqui para levá-los à mesa.”

Atualmente, a Rússia controla total ou parcialmente cinco regiões do sudeste da Ucrânia — Crimeia, tomada em 2014, e Donetsk, Luhansk, Zaporizhzhia e Kherson, anexadas em 2022.

Durante o encontro, Trump e Putin cumprimentaram-se no tapete vermelho da base aérea Joint Base Elmendorf–Richardson. Um bombardeiro stealth B-2 sobrevoou a área, acompanhado por quatro caças F-22, enquanto os líderes caminhavam juntos até o local da cúpula.

Trump estava acompanhado pelo secretário de Estado Marco Rubio e pelo enviado especial Steve Witkoff, enquanto Putin trouxe um grande grupo de empresários russos, seguindo a estratégia de enfatizar investimentos e laços corporativos. “Eles não vão fazer negócios até resolvermos a guerra”, disse Trump.

O encontro simbólico ocorreu exatamente 80 anos após o anúncio da rendição do Japão na Segunda Guerra Mundial e quatro anos após a queda de Cabul para o Talibã, que Trump citou como demonstração de fraqueza americana e motivação para o ataque de Putin à Ucrânia.

Putin também criticou o ex-presidente Joe Biden, culpando-o pelo início da guerra: “Hoje, quando o presidente Trump disse que se fosse presidente naquela época, não haveria guerra, e tenho certeza de que não haveria. Posso confirmar isso.”

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