EUA e Irã agendam negociações de paz em Doha após escalada de tensão no Estreito de Ormuz
Além da questão do estreito, o Irã também estaria frustrado por ter sido excluído das negociações de paz entre Israel e Líbano.

Os Estados Unidos e o Irã concordaram em se encontrar para negociações de paz na terça-feira (30), em Doha, no Catar, após uma série de ataques do regime iraniano contra navios no Estreito de Ormuz e contra aliados americanos no Oriente Médio. A informação foi divulgada por um funcionário do governo dos EUA ao jornal New York Post.
De acordo com a fonte, os ataques foram uma reação de Teerã a desenvolvimentos recentes que ameaçaram seu controle sobre o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. O ponto crítico foi a atuação do Comando Central dos EUA (Centcom) em parceria com a Organização Marítima Internacional (OMI) para escoltar navios pelo lado omanense do estreito, o que minou a influência iraniana sobre a rota.
A situação se agravou depois que Omã declarou que não apoiava um sistema de pedágio na via marítima. “A declaração de Omã de que não haveria pedágios realmente prejudicou a posição iraniana”, afirmou o funcionário norte-americano.
Irã frustrado com exclusão do Líbano e venda de petróleo
Além da questão do estreito, o Irã também estaria frustrado por ter sido excluído das negociações de paz entre Israel e Líbano. O mais recente acordo, rejeitado pelo Hezbollah, prevê que o grupo terrorista apoiado por Teerã se desarme em troca da retirada de Israel do sul do Líbano. Não está claro como o tratado avançará sem o apoio do Hezbollah.
O regime iraniano também estaria insatisfeito por não ter conseguido encontrar novos compradores para seu petróleo após a suspensão das sanções pelos EUA na semana passada. Funcionários da Companhia Nacional de Petróleo do Irã teriam percorrido a Ásia oferecendo petróleo com desconto a refinarias, mas o número de acordos fechados permanece incerto.
Teerã também exige que os EUA liberem seus ativos congelados. “Sempre deixamos claro que os fundos congelados só seriam liberados à medida que houvesse progresso na questão nuclear”, afirmou o funcionário americano.
Trump ameaça “destruição total” do Irã
Apesar das negociações, o presidente Donald Trump voltou a ameaçar o Irã. Em publicação na Truth Social, ele escreveu: “Pode chegar um momento em que não sejamos mais capazes de ser razoáveis e seremos forçados a completar militarmente o trabalho que começamos com muito sucesso. Se isso acontecer, a República Islâmica do Irã não existirá mais.”
Irã e EUA estão em negociações desde a assinatura do memorando de entendimento em 17 de junho, que abriu uma janela de 60 dias para um acordo definitivo sobre o programa nuclear iraniano e a reabertura do Estreito de Ormuz.
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