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EUA registram primeiro caso humano de “mosca parasita” que devora tecidos vivos

Representantes da indústria da carne bovina, que já enfrenta preços recordes devido ao menor rebanho em 70 anos, também demonstraram preocupação com a possibilidade de infecção no gado

     O Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos confirmou o primeiro caso humano em território norte-americano de infecção causada pela mosca parasita New World screwworm (Cochliomyia hominivorax), cujas larvas se alimentam de tecidos vivos de animais de sangue quente.

O diagnóstico foi concluído em 4 de agosto, após investigação conduzida pelo Departamento de Saúde de Maryland em conjunto com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). O paciente havia retornado de El Salvador, segundo informou o porta-voz do Departamento de Saúde, Andrew G. Nixon, à agência Reuters.

Relatos anteriores indicavam que a infecção teria vindo da Guatemala. Questionado sobre a divergência, Nixon limitou-se a afirmar: “O risco para a saúde pública dos Estados Unidos é muito baixo.” Até o momento, não há registro de casos em animais dentro do país.

O avanço do parasita em direção aos Estados Unidos preocupa autoridades e representantes da pecuária. Desde 2023, a mosca vem se deslocando pelo México, após se espalhar por países da América Central. Como medida preventiva, Washington suspendeu a importação de gado por meio dos portos de entrada do sul desde novembro do ano passado.

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A notificação do caso humano, porém, foi restrita a um grupo limitado de profissionais e autoridades do setor agropecuário, gerando críticas pela falta de transparência. A veterinária estadual de Dakota do Sul, Beth Thompson, relatou dificuldades na comunicação com o CDC: “Descobrimos [o caso de Maryland] por outras vias e depois tivemos que ir ao CDC para que nos dissessem o que estava acontecendo”, disse à Reuters no domingo (24.ago.2025).

Segundo ela, “eles não foram transparentes e delegaram ao Estado a responsabilidade de confirmar qualquer coisa que tivesse acontecido ou o que havia sido encontrado neste viajante.”

Representantes da indústria da carne bovina, que já enfrenta preços recordes devido ao menor rebanho em 70 anos, também demonstraram preocupação com a possibilidade de infecção no gado.

O parasita, conhecido popularmente como “verme-parafuso do Novo Mundo”, deposita ovos em feridas de animais de sangue quente. Após a eclosão, centenas de larvas perfuram a carne viva, podendo levar o hospedeiro à morte caso não haja tratamento adequado. Embora raros em humanos, os casos podem ser fatais tanto para pessoas quanto para animais.

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De acordo com cálculos do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), um surto poderia custar à economia do Texas cerca de US$ 1,8 bilhão, levando em conta mortes de animais, custos de mão de obra e despesas veterinárias

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