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Gigante dos EUA adquire única mina de terras raras do Brasil em operação bilionária

Em comunicado ao mercado, o grupo Serra Verde afirmou que a integração com a USAR será decisiva para a construção de uma cadeia de suprimentos de terras raras “da mina ao ímã” fora da Ásia.

   A mineradora norte-americana USA Rare Earth (USAR), listada na Nasdaq, anunciou a aquisição da brasileira Serra Verde, empresa especializada na produção de terras raras, em uma transação estimada em cerca de US$ 2,8 bilhões (aproximadamente R$ 14 bilhões). O acordo foi divulgado nesta segunda-feira (20) pelas companhias.

O negócio prevê o pagamento de US$ 300 milhões em dinheiro, além da emissão de 126,8 milhões de novas ações ordinárias da USAR, com base na cotação de US$ 19,95 registrada em 17 de abril. A conclusão da operação está prevista para o terceiro trimestre.

Com a aquisição, a mina de Pela Ema, localizada em Minaçu, em Goiás, passará ao controle da empresa norte-americana. Trata-se da única mina de argilas iônicas ativa do Brasil e a única fora da Ásia a produzir, em escala comercial, quatro dos elementos mais valiosos do grupo das terras raras: disprósio (Dy), térbio (Tb) e ítrio (Y), além de outros componentes estratégicos.

A Serra Verde iniciou a produção em 2024 e é considerada uma peça-chave no mercado global de minerais estratégicos, utilizados na fabricação de ímãs permanentes aplicados em veículos elétricos, turbinas eólicas, robótica, drones, sistemas de ar-condicionado de alta eficiência, além de setores como semicondutores, defesa, energia nuclear e indústria aeroespacial.

Segundo a companhia brasileira, a operação permitirá a criação de uma das maiores empresas globais do setor. Embora ainda esteja em fase inicial e com produção considerada modesta, a expectativa é de expansão significativa, com previsão de dobrar a capacidade até 2030.

Em comunicado ao mercado, o grupo Serra Verde afirmou que a integração com a USAR será decisiva para a construção de uma cadeia de suprimentos de terras raras “da mina ao ímã” fora da Ásia. “As operações de mineração e processamento da Serra Verde terão um papel central no estabelecimento da primeira cadeia de suprimentos de terras raras da mina ao ímã fora da Ásia, quando combinadas com as capacidades de mineração e ‘downstream’ da USAR”, informou a empresa.

A aquisição ocorre em um momento de intensa disputa global por fontes alternativas à China, que domina mais de 90% da extração e do processamento de terras raras no mundo. Esses materiais, considerados essenciais para tecnologias ligadas à transição energética, inteligência artificial e sistemas de defesa, tornaram-se estratégicos em meio a tensões geopolíticas e restrições comerciais.

Com o avanço do setor, a Serra Verde é vista pelo mercado como um “ativo único” fora da Ásia, já que é a única operação global capaz de extrair em escala comercial os quatro elementos mais críticos entre os 17 classificados como terras raras, segundo o Ministério de Minas e Energia.

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