A Coordenadora Fabiana Cruz fala sobre o Combate ao Mosquito Aedes aegypti em Marcelândia
"Precisamos que a população se conscientize de que esse é um problema coletivo".
O Portal de Notícias Cidade NEws Online entrevitou a Fabiana Cruz, que é a atual Coordenadora da Vigilância em Saúde no município de Marcelândia. Nós perguntamos à ela sobre as principais ações que estão sendo realizadas atualmente para combater o mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue no município.
**Fabiana Cruz:** “Bem, nós temos ações de rotina, que estão sendo realizadas normalmente. Isso inclui a visitação de agentes de endemias nas residências, onde fazemos inspeções, coleta de larvas e tratamento quando necessário. Também orientamos os moradores sobre os cuidados que eles podem tomar. Essa atividade é realizada em conjunto com os agentes comunitários de saúde, promovendo uma maior conscientização e responsabilidade dos moradores na relação à inspeção e cuidado de seus quintais. Essa é uma ação contínua, um trabalho que pensamos ser definitivo”.
“Além dessas rotinas, realizamos ações extras, como palestras com os moradores durante as reuniões nas escolas. diz a coordenadora. “Temos uma atividade especial chamada BRI, que é uma borrifação residual do inseticida, realizada em locais específicos como escolas, creches e roupas, onde há grande aglomeração de pessoas. Essa borrifação é feita nas paredes desses locais para eliminar o mosquito quando ele se acomoda ali. Isso faz parte de um cronograma previsto pelo Ministério da Saúde, e estamos constantemente em movimento, orientando e esclarecendo à população sobre a importância do cuidado com o mosquito”.
“Temos ainda um Comitê das Herboviroses, composto por representantes da sociedade, que discute estratégias e ações possíveis para ampliar a conscientização da população”.
**Repórter:** “Quantos profissionais estão empenhados nessa luta? Existe uma equipe específica dedicada a esse trabalho”?
**Fabiana Cruz:** “Na verdade sim, nós temos a equipe, toda a equipe da saúde se dedica para orientar, para alertar as pessoas sobre isso. Especificamente nós temos a Vigilância Ambiental
que é a equipe dos agentes de combate à endemias que atualmente nós estamos com oito profissionais exclusivos para essa atividade. Mas a gente tem os agentes comunitários de saúde
que também realizam visitas à domicílio e faz essa orientação.
**Repórter:** “Como tem sido a receptividade dos moradores durante as abordagens feitas pelos agentes de saúde nas residências? Há alguma resistência por parte da população”?
**Fabiana Cruz:** “Olha, em geral a gente tem uma boa receptividade porém, em alguns casos infelizmente a gente ainda tem sim resistência tanto de receber o agente… Quanto em receber as orientações desse agente quando identificado alguma situação crítica que requer uma orientação direcionada para que o problema seja solucionado.
Então assim, infelizmente nós ainda temos uma resistência se a gente pensar assim, que as arboviroses são dengue, zika e chikungunya não é um problema de uma equipe específica da equipe da saúde né? De qualquer secretaria, esses problemas são problemas coletivos É um problema coletivo então. É um problema em que toda a população tem que estar empenhada, engajada nisso. Então infelizmente ainda tem algumas pessoas que têm resistência em receber orientação e realizar a ação que é delas né? De cuidar do seu quintal da sua residência
fazendo com que a gente evite o acúmulo de criadores dos mosquitos Aedes”.
Em comparação com anos anteriores
**Repórter:** “Em comparação com anos anteriores, como está a situação dos casos de dengue, zika e chikungunya em Marcelândia? Estamos observando um aumento ou uma redução nos registros”?
**Fabiana Cruz:** “Na verdade o que acontece Valmir, agora é um período em que a gente observa assim Há uma estabilidade. Então dizer assim, ah reduziu aumentou. Não há uma estabilidade porque a gente está num período chuvoso de chuvas intensas, então esse é um período que há uma estabilidade, mas há uma preocupação pensando que
Daqui algum tempo essa chuva começa a reduzir e, é onde o problema começa aparecer de forma mais intensa Porque se eu tenho alguns dias sem chuva eu tenho um acúmulo de água naqueles criadores fazendo com que o mosquito se prolifere, né? Então se antigamente a gente tinha a preocupação no período chuvoso, agora não é só no período chuvoso. A preocupação ela é durante todo o ano no período chuvoso e no período de seca também porque parece que os casos de herbovirose, dengue, zika e chikungunya aparecem só na época da chuva, né? Mas infelizmente não é assim eles agora estão aparecendo, mas a nossa preocupação é que a partir de março a maio por exemplo, aí sim pode ter um aumento dos casos, então, se a gente não tem o cuidado agora, daqui uns dois três meses, sim a gente vai ter um aumento né? Do índice de casos dessas herboviroses”.
**Repórter:** “Quais dessas três herboviroses são consideradas as mais comuns em Marcelândia”?
**Fabiana Cruz:** “A gente ainda tem a maior incidência dos casos de dengue Né? A gente tem zika, chikungunya, mas atualmente a maior incidência é dos casos de dengue.
**Repórter:** “As instituições locais como escolas empresas e associações têm colaborado com a iniciativa De combate ao mosquito e quais ações conjuntas têm sido realizadas por essas instituições”?
**Fabiana Cruz:** “Sim, então ano passado nós tivemos um projeto bastante interessante que foi o projeto com os escolares né? Envolvendo os alunos, as escolas. É interessante porque assim, a ideia era ter uma parceria dos alunos, professores e pais empenhados para a redução, Né? Dos criadouros do mosquito Aedes, porém, nós enfrentamos algumas dificuldades, então esse ano a gente tá de novo buscando esse apoio, mas com uma estratégia diferente, então ontem a gente começou com a participação nas reuniões com os pais, nas reuniões das escolas para que a gente inicie esse ano agora orientando os pais também.
No ano passado estávamos voltados para as crianças e adolescentes. Então, esse ano a estratégia é trabalhar mais com os pais e fortalecer essa parceria com as escolas através dos pais para que tenha esse alerta da importância, da necessidade que é de cada um cuidar dos seus quintais, das suas residências para que a gente tenha um trabalho em conjunto”.
Repórter: “E quais são as expectativas para o futuro em relação ao controle do mosquito transmissor da dengue em marcelândia e alguma mensagem final para incentivar a população a participar desse esforço”?
Entrevistada: “Olha, as expectativas aqui são de que um dia podemos ter uma redução significativa dos casos de dengue, zika e chikungunya. Para isso, estamos empenhando esforços buscando parcerias com instituições e escolas, para que consigamos uma maior mobilização da população. Quando falamos sobre prevenção de arboviroses, infelizmente, apenas uma equipe de saúde não consegue fazer tudo sozinha. É impossível termos controle do mosquito Aedes sem a ajuda de todos”.
“Precisamos que a população se conscientize de que esse é um problema coletivo. Cada um de nós precisa se dedicar a pelo menos 10 minutos por semana para observar nossas casas e quintais. Precisamos verificar se há recipientes que possam acumular água, pois, se houver, isso se torna um criadouro para o mosquito Aedes, que deve ser eliminado.
Uma outra situação bastante importante a esclarecer para a população é sobre a vacina contra a dengue. Recentemente, recebemos a vacina, e isso é uma excelente notícia dentro dessa expectativa de redução. Se conseguirmos imunizar a população, juntamente com o cuidado na eliminação dos criados nos nossos quintais, teremos uma chance maior de reduzir os casos de dengue.
“Atualmente, não conseguimos vacinar toda a população, mas o Ministério da Saúde disponibilizou a vacina para um público específico: adolescentes de 10 a 14 anos. Serão duas doses, com intervalo de três meses, e a vacina estará disponível nas unidades de saúde a partir de quarta-feira. É muito importante que as pessoas procurem unidades de saúde e levem os seus filhos, juntamente com a caderneta de vacinação, para que possam ser vacinados. À medida que o Ministério da Saúde libere a vacina para outros grupos prioritários, ampliaremos a vacinação.
Por fim, eu gostaria de deixar um recado: dengue mata, e sabemos que é algo que podemos evitar. Portanto, vamos unir nossas forças! Cada um fazendo a sua parte, poderemos prevenir casos graves e mortes em nosso município. Fica o nosso alerta: estamos à disposição para qualquer dúvida ou esclarecimento, e desde já, agradecemos a parceria e colaboração de cada morador para que possamos reduzir os casos de dengue ao longo deste ano”.
Repórter:** Existe alguma comunidade ou bairro específico que tenha uma incidência maior da doença?
É, no momento como eu falei pra você, a gente tá tendo uma estabilidade Pensando em anos anteriores
Ai aumentou, reduziu. Tá estável
Se a gente avaliar os anos anteriores então, assim a nossa preocupação no momento
é com toda a cidade, bairro específico a gente tem casos notificados de todos os bairros da cidade
E ao contrário do que muita gente pensa, ah nessa zona rural, assim em chácaras não tá tendo indicios,
A gente tá tendo casos também nessas chácaras vizinhas, que antigamente a gente só tinhamos mais casos
na zona urbana. Hoje o mosquito tá ficando mais esperto e tá indo pra essa região também. Então no momento
Ah tem um bairro que é mais ou menos, não, a gente tem casos em todos os bairros. Então, a orientação é para todos os moradores tanto da região central quanto nos bairros periféricos também.






