Oposição reage após OAB pedir fim do inquérito das Fake News
Entidade se calou enquanto os perseguidores eram da direita política

Políticos da oposição se manifestaram nesta segunda-feira (23) após a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) anunciar que vai pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) o fim do chamado Inquérito das Fake News. O pedido será enviado ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin.
O ex-deputado Deltan Dallagnol (Novo-PR) criticou a posição da entidade.
– A OAB acordou? A OAB acordou? O inquérito das “fake news” já dura sete anos sob a “cegueira” seletiva da OAB. Sem prazo para terminar, sem participação do Ministério Público no início (a PGR Raquel Dodge chamou o STF de “tribunal de exceção” e mandou arquivar o inquérito, mas Moraes ignorou) e com a vítima investigando e julgando. Quantos brasileiros foram perseguidos à margem da lei? Agora a OAB manifesta “extrema preocupação institucional com a permanência e conformação jurídica de investigações de longa duração”, afirmando que o procedimento “nasceu em contexto excepcional”. Que contexto excepcional, OAB? O de auditores da Receita investigando indícios de crimes de ministros do Supremo e seus familiares? Exatamente o que está acontecendo agora em 2026? A OAB levou sete anos para perceber o óbvio? – escreveu ele na rede social X.
O deputado Coronel Chrisóstomo (PL-RO) também comentou o caso.
– Só depois de sete anos, OAB, vocês identificaram estranheza no inquérito da Fake News? É o pior, vivi para ver jornalistas da Globo, que antes defendiam, hoje atemorizados, diz ser um absurdo um único ministro ser e fazer tudo.
A deputada Carol De Toni (PL-SC) afirmou que a reação foi tardia.
– Quase dez anos de abusos e aberrações contra a segurança jurídica e agora a imprensa e OAB resolvem quebrar o silêncio. Onde estava a OAB quando direitos de cidadãos foram atropelados? Quando a Constituição foi relativizada? Quando parlamentares foram punidos por opiniões? Quando advogados sequer tiveram acesso aos processos de seus clientes? Ver as manifestações tardias da OAB ecoadas pela imprensa chega a soar quase cômico. O alerta foi feito, o risco foi apontado, mas preferiram se calar. O silêncio de ontem ajudou a criar o cenário de hoje. Nós avisamos – escreveu a deputada.
O debate ocorre após a OAB informar que enviará ofício ao STF pedindo o encerramento da investigação, aberta em março de 2019 pelo então presidente da Corte, ministro Dias Toffoli. A entidade afirma que o inquérito começou em situação excepcional e que esse contexto já foi superado.
Nos últimos dias, o caso voltou ao centro das atenções depois de uma operação autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes contra servidores da Receita Federal. Eles são suspeitos de acessar e divulgar dados de familiares de ministros do Supremo.
A OAB sustenta que o uso recente do inquérito vai além do objetivo inicial, que era apurar supostas notícias falsas contra ministros e seus parentes. A entidade também pediu audiência com o presidente do STF para tratar do assunto e solicitou providências para encerrar a investigação.





