Mulher foi ao ‘médico’ fazer um aborto e voltou sem o útero: o horror do procedimento clandestino na Zona Sul do Rio
De acordo com a Polícia Civil, uma paciente morreu após hemorragia e infecção generalizada, e outra precisou retirar o útero após complicações do procedimento.

Um homem de 61 anos, sem formação em Medicina, foi preso na última sexta-feira (5) suspeito de realizar abortos clandestinos em uma clínica na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio de Janeiro. De acordo com a Polícia Civil, uma paciente morreu após hemorragia e infecção generalizada, e outra precisou retirar o útero após complicações do procedimento.
O suspeito, identificado como José Luiz Gonçalves, se apresentava às vítimas como médico e usava o codinome “Dr. Bruno”. Segundo as investigações, ele cobrava R$ 5 mil por cada procedimento e atuava em uma clínica clandestina dentro de uma cobertura na Avenida Olegário Maciel.
Condições insalubres e medicamentos vencidos há 9 anos
A delegada Cristiane Uchôa descreveu o local como de “extrema insalubridade” . Durante a operação que resultou na prisão, os policiais encontraram medicamentos armazenados de forma inadequada e com prazos de validade vencidos. Alguns deles estavam vencidos havia quase 9 anos. A polícia também constatou a ausência de equipamentos e materiais básicos para atendimento de emergências.
As vítimas e as consequências
Duas pacientes foram atendidas pelo falso médico e sofreram graves complicações após os procedimentos:
Uma delas morreu após sofrer hemorragia e infecção generalizada.
A outra precisou retirar o útero e está internada há quase um mês no Hospital Municipal Miguel Couto, no Leblon, Zona Sul do Rio.
Indiciamento e prisão
O suspeito foi autuado por homicídio doloso (quando há intenção de matar), tentativa de homicídio e exercício ilegal da Medicina. Durante a ação policial, ele permaneceu calado, limitando-se a dizer que só falaria com o advogado e na presença de um juiz.
A clínica foi interditada durante a operação. A Polícia Civil pede que outras possíveis vítimas procurem a delegacia para denunciar os crimes e contribuir com as investigações.
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