PF pede 3º inquérito contra Lulinha por tráfico de influência; contratos de R$ 55 mi são alvo
O advogado de Lulinha, Marco Aurélio de Carvalho, criticou a atuação da PF e afirmou que os investigadores promovem uma “pesca probatória” (fishing expedition).

Empresa de tecnologia alvo da investigação tem R$ 55,7 milhões em contratos com o governo federal; defesa critica “pesca probatória”, enquanto Lula afirma que não protegerá o filho e que ele “terá que provar inocência”.
A Polícia Federal (PF) enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido para a abertura de um terceiro inquérito contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ele é suspeito de tráfico de influência.
O novo pedido apura se Lulinha atuou para favorecer a 3Structure IT LTDA, empresa de tecnologia com sede em Florianópolis que mantém R$ 55.721.051,62 em contratos vigentes com o governo federal. Segundo a suspeita, ele teria usado o nome do pai para viabilizar negócios e investimentos na empresa.
A 3Structure foi fundada em 2019. O primeiro contrato com a administração pública federal foi fechado com o Centro Integrado de Telemática do Exército em novembro de 2022, prevendo soluções de TI e infraestrutura de armazenamento. Inicialmente firmado no valor de R$ 21,8 milhões, o contrato recebeu um aditivo de R$ 3,6 milhões em julho deste ano.
Os outros dois inquéritos
Na última quinta-feira (30), o ministro André Mendonça, do STF, já havia autorizado a abertura de duas investigações conduzidas pela PF contra o empresário:
Caso Ministério da Saúde: Apura se Lulinha cometeu crimes de tráfico de influência e corrupção passiva para favorecer o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, em contratos de cannabis medicinal;
Caso Dataprev: Investiga se o empresário atuou para favorecer um empresário do setor de tecnologia que buscava fechar contratos com a Dataprev e outros órgãos governamentais.
Defesa critica “pesca probatória”
O advogado de Lulinha, Marco Aurélio de Carvalho, criticou a atuação da PF e afirmou que os investigadores promovem uma “pesca probatória” (fishing expedition).
“Não achei nada aqui e vou procurar ali. Isso fragiliza as instituições, traz insegurança para o processo eleitoral, é uma contaminação inequívoca e vou pedir explicações”, ressaltou a defesa.
Lula nega proteção ao filho
Em entrevista ao podcast Inteligência Ltda., o presidente Lula afirmou que não usará a presidência para intervir nas apurações:
“Não vou utilizar meu cargo para proteger. Ele vai vir para cá, vai ter que provar que é inocente como eu provei, mas tem que provar. E se for culpado, vai pagar o que todo mundo tem que pagar quando erra”, disse o presidente.
Lula afirmou ainda que o filho se encontra na Espanha e que, caso seja formalmente notificado, deverá vir ao Brasil para apresentar sua defesa.
O desdobramento das apurações acendeu o sinal de alerta na campanha de reeleição do petista. Aliados demonstram preocupação com o desgaste político provocado pelas investigações, que correm sob a relatoria do ministro André Mendonça no STF.
![]()



