A mensagem deixada no perfil de Ali Larijani após ser morto por Israel
Antes da guerra, Larijani chegou a viajar para Omã para encontros com mediadores internacionais, mantendo contato direto com representantes da União Europeia, Rússia e outros países.

O alto funcionário de segurança iraniano Ali Larijani foi morto em um ataque noturno de Israel, em meio à escalada da guerra e à instabilidade provocada pelo assassinato do líder supremo do Irã, o ayatolá Ali Khamenei, informou nesta terça-feira (17) o governo israelense.
Após a confirmação da morte de Larijani, uma mensagem atribuída à sua conta oficial destacou: “Sua memória permanecerá sempre no coração da nação iraniana, e estes mártires sentarão as bases do Exército da República Islâmica dentro da estrutura das forças armadas durante muitos anos”. O texto ainda incluiu um apelo religioso: “Rogo a Deus Todo-Poderoso que conceda a esses queridos mártires o mais alto grau”, referindo-se às vítimas do ataque.
O ataque também matou o general Gholam Reza Soleimani, comandante da milícia paramilitar Basij, conhecida por sua repressão violenta a protestos internos no país. Segundo fontes israelenses, Soleimani estava em uma tenda usada como quartel improvisado quando foi atingido junto a outros oficiais da força.
Larijani era considerado um dos principais conselheiros do regime e vinha de uma das famílias mais influentes do Irã, frequentemente comparada aos Kennedy dos Estados Unidos. Entre seus irmãos, um comandou o poder judiciário e outro atuou como diplomata de alto escalão.
Conservador dentro da teocracia iraniana, Larijani ocupou cargos estratégicos durante décadas: foi ministro da Cultura na década de 1990, presidente do Parlamento entre 2008 e 2020 e, mais recentemente, chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional. Ele também publicou ao menos seis livros de filosofia, incluindo trabalhos sobre o filósofo Immanuel Kant, e atuou como conselheiro de Khamenei nas negociações nucleares com a administração Trump.
Antes da guerra, Larijani chegou a viajar para Omã para encontros com mediadores internacionais, mantendo contato direto com representantes da União Europeia, Rússia e outros países. Apesar da experiência e influência, ele não podia assumir o cargo de líder supremo por não ser clérigo xiita, mas exercia forte controle político e militar, principalmente em momentos de crise.
Em resposta às ameaças de Donald Trump sobre ataques a Teerã, Larijani escreveu em rede social: “A nação sacrificial do Irã não teme suas ameaças vazias. Nem mesmo os mais poderosos poderiam eliminar o Irã. Tenha cuidado para não ser eliminado você mesmo”.
Gholam Reza Soleimani comandava a milícia Basij, composta por centenas de milhares de voluntários, brigadas militares, policiais antidistúrbios e uma rede de informantes que monitoram a população. A milícia ganhou notoriedade por reprimir manifestações populares, incluindo as de janeiro de 2025, quando dezenas de milhares de pessoas foram presas e milhares morreram.
Soleimani, nascido na década de 1960 em Farsan, ingressou na Basij em 1984 durante a guerra Irã-Iraque e tornou-se comandante em 2019. Ele estava sob sanções dos Estados Unidos desde 2021 devido à repressão de protestos e à participação em ações violentas contra civis.
A morte de Larijani e Soleimani ocorre em um momento crítico: o Irã fechou de fato o Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado globalmente, elevando preços e afetando a economia mundial. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que os ataques têm como objetivo enfraquecer o regime iraniano: “para dar ao povo iraniano a oportunidade de derrubá-lo”.
Desde o início dos ataques, não houve grandes protestos no país, já que muitos iranianos buscam refúgio devido às ofensivas de Israel e Estados Unidos.
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