Brasil é o único a votar contra convocação da OEA para repudiar fim das eleições na Nicarágua
O embaixador do Paraguai na OEA, Raúl Florentín, defendeu a iniciativa e criticou a posição brasileira.

Com exceção do Brasil, todos os membros da OEA apoiaram a iniciativa; representante brasileira classificou a convocação como “prematura” e defendeu abordagem da migração sob perspectiva de direitos humanos.
A Organização dos Estados Americanos (OEA) aprovou nesta quarta-feira (5) a convocação de uma reunião de chanceleres da América Latina para repudiar a suspensão definitiva das eleições na Nicarágua, ordenada há quase três semanas pelos ditadores Rosario Murillo e Daniel Ortega. A iniciativa, apresentada pelos Estados Unidos, contou com o apoio de países como Argentina, Costa Rica, Panamá e Paraguai.
O Brasil foi o único país a se opor à convocação. A posição foi apresentada pela ministra-conselheira da embaixada do Brasil na OEA, Thaís Mesquita Candia Pecoraro, que classificou a iniciativa como “prematura” e argumentou que a crise na Nicarágua deve ser tratada como uma questão política e de direitos humanos, e não como uma ameaça à segurança regional.
“Não se apresentaram a este conselho evidências que permitam afirmar que existe algum processo que afete a paz e a estabilidade regionais”, afirmou Candia Pecoraro. A representante brasileira também criticou a abordagem dos EUA sobre a migração: “Os migrantes são pessoas em busca de melhores oportunidades e de uma vida digna, não uma ameaça à paz”.
EUA e Paraguai defendem ação
O diplomata americano Michael Kozak, do Departamento de Estado, justificou a proposta com um diagnóstico severo sobre o regime nicaraguense: “Murillo e Ortega encarceraram, torturaram, silenciaram e exilaram os que consideravam ameaças, expulsando centenas de milhares de nicaraguenses”, afirmou.
O embaixador do Paraguai na OEA, Raúl Florentín, defendeu a iniciativa e criticou a posição brasileira. “Não podemos permitir que a OEA permaneça em silêncio diante de uma situação que já não é apenas uma violação de direitos humanos, mas um desafio à segurança hemisférica”, disse.
Opositores presentes
A sessão contou com a presença de dois convidados especiais: o opositor nicaraguense Juan Sebastián Chamorro, que foi preso e condenado a 13 anos por “conspiração” e posteriormente exilado nos EUA, e Rosa María Payá, membro da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), que denunciou a repressão do regime Ortega-Murillo.
“As detenções arbitrárias, as desaparições forçadas, a perseguição religiosa e a repressão política instauraram o medo na cidadania. Os nicaraguenses vivem sob um regime sem garantias”, afirmou Payá.
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