Governo Trump revoga visto da embaixadora do Brasil em retaliação a impasse diplomático
Segundo o Departamento de Estado, a revogação do visto não significa a expulsão da diplomata. Ela poderá permanecer nos Estados Unidos, mas sem um visto válido.

Medida foi anunciada 10 dias após o Itamaraty negar vistos a dois diplomatas americanos que pretendiam avaliar o sistema eleitoral brasileiro; embaixadora pode permanecer nos EUA, mas sem visto válido.
O governo dos Estados Unidos revogou nesta terça-feira (4) o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. Segundo o Departamento de Estado, a medida é uma resposta à demora das autoridades brasileiras em conceder o aval diplomático (concession de agrément) para que Daniel Perez assuma a embaixada dos EUA no Brasil.
A decisão ocorre 10 dias após o Itamaraty negar vistos a dois diplomatas do Departamento de Estado que viajariam ao Brasil: o secretário-assistente Riley M. Barnes e o subsecretário-amussistente Samuel Samson. A negativa foi motivada pela suspeita de que os diplomatas pretendiam questionar a integridade do sistema eleitoral brasileiro, o que foi negado pelos EUA.
O impasse diplomático
Segundo o Departamento de Estado, a revogação do visto não significa a expulsão da diplomata. Ela poderá permanecer nos Estados Unidos, mas sem um visto válido. O órgão afirmou que o visto poderá ser restabelecido caso o Brasil conceda o aval diplomático ao novo embaixador americano.
Perez foi indicado ao cargo em junho. Há duas semanas, a indicação recebeu o aval de uma comissão do Senado dos EUA, mas ainda precisa ser aprovada pelo plenário da Casa. Pela tradição diplomática, antes de um embaixador assumir o posto, o país que irá recebê-lo precisa autorizar a indicação — o que, segundo os EUA, ainda não ocorreu.
O governo americano alega que as autoridades brasileiras indicaram que a autorização só deve ser dada após as eleições presidenciais.
Daniel Perez
Daniel Perez, de 38 anos, é presidente da Câmara dos Deputados da Flórida. Filho de imigrantes cubanos, ele nasceu em Nova York e se mudou com a família para a Flórida ainda criança. Se aprovado pelo Senado americano, ele será o primeiro embaixador dos EUA no Brasil desde a saída de Elizabeth Bagley. O posto está vago desde janeiro de 2025.
Relações bilaterais em desgaste
As relações entre Brasil e EUA começaram a se deteriorar em julho de 2025, quando o governo americano anunciou tarifas sobre produtos brasileiros. Em maio deste ano, os EUA classificaram o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Em julho, entraram em vigor novas tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, com o governo americano citando o sistema Pix e a regulação de plataformas digitais como práticas que “oneram ou restringem” o comércio.
Dois dias depois, os EUA confirmaram outra tarifa, de 12,5%, contra o Brasil e dezenas de outros países, alegando práticas comerciais desleais pela falta de combate ao trabalho forçado.
Expectativa de retaliação
Em 29 de julho, a imprensa revelou que o governo brasileiro já esperava algum tipo de retaliação após a negativa dos vistos. Fontes do Itamaraty avaliavam uma reação no campo diplomático, com novas restrições de vistos.
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