Trump promete ‘vingança’ após morte de soldados e faz ultimato ao regime iraniano
Trump apelou aos americanos para apoiarem a guerra, apesar do crescente descontentamento entre aliados republicanos e pesquisas que mostram maioria contrária ao conflito, especialmente com as eleições de meio de mandato se aproximando.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu “vingar” as mortes de tropas americanas no Oriente Médio, lançou um novo ultimato ao Irã e conclamou os americanos a apoiarem sua luta pela “liberdade” em seu segundo discurso à nação em apenas 48 horas.
Falando de sua residência em Mar-a-Lago, Trump declarou: “A América vai vingar suas mortes e desferir o golpe mais punitivo aos terroristas que declararam guerra, basicamente, à civilização”. As declarações ocorreram horas depois da morte de três soldados americanos no Kuwait.
O presidente advertiu os líderes iranianos a desistirem do conflito que se espalhou pela região, com mísseis atingindo Israel, Estados árabes como Arábia Saudita, Bahrein e Emirados Árabes Unidos, e bases militares americanas.
“Essas ameaças intoleráveis não continuarão mais. Mais uma vez, insto a Guarda Revolucionária e a polícia militar iraniana a deporem suas armas e receberem imunidade total, ou enfrentarão a morte certa”, disse Trump.
Ele também conclamou o povo iraniano a se levantar e derrubar o regime islâmico. “Sejam corajosos, audaciosos, heroicos e retomem seu país”, afirmou.
Trump apelou aos americanos para apoiarem a guerra, apesar do crescente descontentamento entre aliados republicanos e pesquisas que mostram maioria contrária ao conflito, especialmente com as eleições de meio de mandato se aproximando.
“Estamos realizando esta operação massiva não apenas para garantir a segurança de nosso tempo e lugar, mas para nossos filhos e netos, assim como nossos antepassados fizeram por nós há muitos anos”, disse. “É o dever e o fardo de um povo livre. Essas ações são corretas e necessárias para que os americanos nunca enfrentem um regime terrorista radical e sanguinário armado com armas nucleares.”
Trump descreveu os três soldados mortos como “verdadeiros patriotas americanos que fizeram o sacrifício supremo pela nossa nação, mesmo enquanto continuamos a missão justa pela qual deram suas vidas”. Ele acrescentou: “Infelizmente, provavelmente haverá mais antes que isso termine. É assim que as coisas são. Provavelmente haverá mais.”
O exército americano e Israel atingiram alvos no Irã, lançando bombas pesadas sobre instalações de mísseis balísticos e destruindo navios de guerra, numa campanha intensificada após a morte de Ayatollah Ali Khamenei. Explosões sacudiram janelas e enviaram colunas de fumaça sobre Teerã, enquanto autoridades iranianas afirmam que mais de 200 pessoas morreram desde o início dos ataques, incluindo líderes seniores.
Em Israel, nove pessoas morreram e 28 ficaram feridas após um ataque a uma sinagoga em Beit Shemesh, elevando o total de mortos no país para 11. Onze pessoas ainda estão desaparecidas.
O conflito não mostra sinais de recuo. Estados Unidos e Israel têm como alvo instalações militares, políticas e de inteligência, numa guerra que pode desestabilizar toda a região do Oriente Médio. O ataque também evidencia a demonstração de poder militar de Trump, que chegou à presidência com a promessa de priorizar “America First” e evitar “guerras intermináveis”.
Israel afirmou que intensificou os ataques com 100 jatos atingindo simultaneamente alvos em Teerã, incluindo prédios da força aérea, comando de mísseis e da força de segurança interna, responsável por reprimir protestos em janeiro. O exército americano informou que bombardeiros B-2 atingiram instalações de mísseis balísticos com bombas de 2.000 libras, e Trump afirmou que nove navios de guerra iranianos foram afundados, além de a sede da marinha ter sido “largamente destruída”.
Reino Unido, França e Alemanha declararam estar prontos para colaborar com os EUA para conter os ataques iranianos.
A morte de Khamenei, que governou o Irã por mais de três décadas, criou um vácuo de liderança, aumentando o risco de instabilidade regional. Trump sinalizou estar aberto a diálogo com a nova liderança iraniana, apesar de ter pedido uma revolta contra o governo.
Em Teerã, as ruas estavam quase desertas durante os ataques, enquanto a força paramilitar Basij estabeleceu pontos de controle. Explosões poderosas foram ouvidas em bairros da cidade e vídeos mostraram fumaça cobrindo o horizonte.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que um novo conselho de liderança começou a trabalhar, e o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, disse que um novo líder supremo seria escolhido em “um ou dois dias”.
O conflito, segundo analistas, tem potencial de envolver outras nações e ameaça escalar a instabilidade no Oriente Médio.
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