Médicos anunciam 2 novos casos de cura do HIV após transplante
Total de casos registrados pela Sociedade Internacional de Aids chegou a 13

Dois novos casos de possível cura do HIV mediante o transplante de células-tronco foram anunciados por médicos nesta segunda-feira (27). A novidade elevou de 11 para 13 o número de episódios de cura ou remissão da doença registrados pela Sociedade Internacional de Aids (IAS).
Um dos pacientes tem 21 anos e é proveniente de Kansas City, no Missouri, Estados Unidos. Ele foi diagnosticado com HIV e leucemia em 2018. Antes do tratamento, ele tinha mais de 2 milhões de cópias do vírus por mililitro de sangue. Após receber células-tronco em outubro de 2020 e um reforço posterior, ele apresentou melhora e teve os antirretrovirais suspensos em fevereiro de 2025. Hoje, 14 meses depois, seus exames não possuem indicativos do vírus do HIV.
O outro caso é de um homem com histórico de hepatite B, e dois tipos de HIV diferentes no organismo. Cerca de quatro anos após o transplante de células-tronco, ele teve os antivirais suspensos. Atualmente, 12 meses depois, ele também segue sem HIV detectável nos exames, o que indica que os níveis são tão baixos que não há transmissão por relações sexuais.
A característica em comum entre esses e a maioria dos pacientes contabilizados pelo IAS é o recebimento de células-tronco com uma mutação rara chamada CCR5-delta32. Essa variação impede que as formas mais comuns do vírus usem uma das principais portas de entrada para as células do corpo.
Os dois novos casos são considerados possíveis curas, porque ainda é necessário monitoramento por mais tempo para garantir que o HIV de fato não retornará. Além desses novos registros, há pacientes curados em Berlim, Londres, Nova Iorque, Genebra, Düsseldorf, Califórnia, Marselha, Oslo, Chicago e Toronto. Eles também receberam o transplante para tratar outras doenças, como leucemias e linfomas, e como consequência registraram a cura ou remissão do HIV.
Embora os transplantes tenham se mostrado eficazes nesses casos, eles não podem ser usados na população com HIV em geral porque podem causar complicações graves ou até mesmo a morte. Por esse motivo, são aplicados apenas em pacientes com outras doenças graves no sangue, a fim de garantir que o benefício supere o risco do procedimento.
Pesquisadores têm estudado os casos contabilizados pelo IAS a fim de buscar uma maneira de reproduzir os benefícios do transplante por meio de um método mais seguro para a população, como medicamentos, terapias genéticas e anticorpos.
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