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Descontrolado, Gilmar Mendes chama Mendonça de “sujeito policialesco” no STF

Confronto ocorreu durante julgamento sobre Moraes no STF, após procurador-geral da República negar proximidade com Vorcaro; Dino pediu vista e sessão foi encerrada

    Os ministros Gilmar Mendes e André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), trocaram acusações nesta terça-feira (15) durante a sessão que analisa a abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes por sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Gilmar Mendes, visivelmente descontrolado, partiu para cima de Mendonça após o procurador-geral da República, Paulo Gonet, negar ter mantido relação de proximidade com Vorcaro.

“É impressionante a desfaçatez desse sujeito”, afirmou Gilmar Mendes, em tom exaltado. Mendonça respondeu de imediato: “A desfaçatez de Vossa Excelência. Me respeite”. Em outro momento, o relator do caso Master afirmou: “Não estou chorando, não. Aqui não tem choro, não. Respeite”. O decano, fora de si, ainda chamou Mendonça de “sujeito investido de um sentimento policialesco”.

Contexto da discussão

A discussão se intensificou depois que Gonet rebateu as suspeitas levantadas durante a apuração. O procurador-geral havia sido mencionado por Mendonça ao explicar diligências determinadas a partir de informações encontradas pela Polícia Federal. Gonet afirmou que o material não indicava prática de ilícito de sua parte e declarou: “Não existe, nem tive relacionamento de proximidade com o senhor Vorcaro”.

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Antes da manifestação de Gonet, Moraes questionou a forma como Mendonça conduziu as diligências, afirmando que o relator tinha conhecimento desde maio de documentos que faziam referência a ele, mas só determinou novas medidas três meses depois, em agosto. Mendonça contestou e disse que as diligências foram motivadas por informações apresentadas pela PF que faziam possíveis referências a Gonet e ao diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues.

Após a fala de Gonet, Gilmar Mendes, descontrolado, reagiu às suspeitas: “É impressionante, presidente, que uma pessoa da estatura do Paulo Gonet sofra esse tipo de ilação. Isto sim é leviandade”. Na sequência, partiu para o ataque pessoal contra Mendonça.

Pedido de vista de Dino e encerramento da sessão

O presidente do STF, Edson Fachin, tentou interromper a discussão. O ministro Flávio Dino cobrou uma intervenção mais firme do presidente da Corte: “O poder de polícia da sessão compete a Vossa Excelência”. Dino afirmou que os sucessivos confrontos entre integrantes do Supremo estavam degradando a imagem do Tribunal e criticou a condução da sessão: “Vossa Excelência está assistindo a isso há horas”.

O ministro também alertou que o STF poderia permanecer envolvido em discussões semelhantes nas semanas seguintes, às vésperas das eleições: “Vossa Excelência está conduzindo o Supremo para ficar deste modo, degradante do ponto de vista técnico e ético, por meses”.

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Dino pediu vista da questão de ordem e declarou que o clima impedia a continuidade da deliberação: “Nós não temos condições de deliberar. O clima é daí para pior”. Após o pedido, Fachin decidiu colher os votos de Luiz Fux e Cármen Lúcia antes de suspender a análise e proclamar o resultado provisório.

O caso em julgamento

O plenário analisa o relatório da Polícia Federal que reuniu 52 mensagens enviadas por Daniel Vorcaro a Moraes nos dias que antecederam a prisão do banqueiro, em novembro de 2025. O documento também apontou edições do ministro em um contrato de R$ 131 milhões com o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes.

A Procuradoria-Geral da República apontou “dupla nulidade” na ordem de Mendonça e pediu a anulação do relatório. A PGR argumenta que Mendonça determinou diligências contra pessoas específicas sem pedido do Ministério Público ou iniciativa da PF, e que uma investigação contra um ministro do Supremo dependeria de autorização do plenário da Corte.

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