Foto: Mateus Bonomi/CrusoéEm 2013, o ex-presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre, combinou com uma mulher a melhor forma de lhe pagar um salário com dinheiro público sem que ela precisasse trabalhar.A revelação foi feita pela revista Veja, que obteve um áudio do senador, da época em que ele exercia seu terceiro mandato como deputado federal pelo Amapá.O dinheiro seria debitado dos vencimentos que o deputado recebia da Câmara dos Deputados. Ao pagar a mulher, Alcolumbre estava atendendo ao pedido de um amigo, o desembargador do Tribunal de Justiça do Amapá (TJ-AP), Gilberto Pinheiro, que precisava resolver uma questão pessoal com “relativa urgência”, segundo a Veja.O problema era o seguinte, de acordo com a revista: Tatielle Pereira de Castro, a mulher que aparece no áudio, era funcionária do TJ-AP.Tatielle trabalhou durante quase dois anos no tribunal, até que surgiram certos rumores sobre a natureza dessa proximidade com Pinheiro, o que acabou resultando em sua exoneração.Para não deixar a ex-funcionária desassistida, o desembargador do TJ-AP pediu para Alcolumbre que “patrocinasse” uma espécie de auxílio-desemprego para a mulher.Foi quando os dois — Alcolumbre e Tatielle — se encontraram para combinar os detalhes de como essa ajuda seria operada. Sem que o senador soubesse, Tatielle gravou a conversa.Nela, o atual presidente da CCJ do Senado se compromete a pagar uma mesada à ex-funcionária do TJ durante dois anos, incluindo férias e décimo terceiro — mas tudo de maneira informal.Além disso, atendendo a um outro pedido do amigo desembargador, Alcolumbre se compromete a ajudar a comprar um carro para Tatielle. Desorientada, ela tinha acabado de se separar do marido em razão das maledicências ditas sobre o relacionamento com o desembargador.De acordo com a Veja, há uma miríade de suspeitas nessa conversa gravada: relações impróprias entre autoridades, troca de favores, nepotismo cruzado e mau uso do dinheiro e das funções públicas.Ao negociar a mesada com Tatielle, por exemplo, Alcolumbre cita que o valor seria correspondente ao que sua esposa, Liana Gonçalves de Andrade, iria receber como funcionária do mesmo TJ-AP.A conclusão que se tira do diálogo obtido pela revista é que a contratação da esposa do senador funcionou como uma espécie de compensação financeira. Alcolumbre bancaria Tatielle por dois anos e, em contrapartida, o salário de Liana no tribunal faria o encontro de contas.“A Liana vai ganhar 8 000 reais, só que vai descontar 27,5%. Aí, quando tu coloca na máquina, dá 6 000 reais, quando tu desconta, é o que tu recebe”, disse o senador, ao explicar para a ex-funcionária a base de cálculo que usou para chegar ao valor exato da mesada.Liana ocupou um cargo em uma diretoria subordinada ao desembargador Pinheiro no mesmo período em que Tatielle recebeu a mesada.A melhor maneira de como adquirir e pagar o carro sem chamar a atenção consome boa parte da conversa entre eles. “O desembargador sugeriu que você fizesse o pagamento dos 5 000, porém, tipo tirasse algum carro”, cobrou a ex-funcionária. Os dois não se entendem e ela prossegue. “É o seguinte, deputado, o que eu queria ver com você (…) agora minha vida deu aquele 180, né? Tipo, eu não tenho família aqui, mudança de casa, sem carro, sem nada, né? (…) O desembargador ele me chamou, perguntou como é que eu tava. A preocupação dele com meu casamento. Falou: ‘Olha… eu sei que agora você está só. Eu falei: ‘Olha, desembargador, eu não sei’. Ele falou: ‘Então, vamos fazer o seguinte: você precisa de um carro’. (…) Ele inclusive falou, ele me perguntou quanto que a gente tava acertando”. Tatielle sugere então a Alcolumbre que ele lhe adiantasse os dois “décimos terceiros” e “duas férias” a que teria direito. “É uma boa ideia. (…) Só me dá um tempo pra mim arrumar o dinheiro”, concordou o atual senador.Atualmente, o desembargador Gilberto Pinheiro é presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Amapá.Recentemente, Gilberto Pinheiro deu um voto decisivo a favor de uma ação movida pelo senador contra a rejeição das contas do diretório estadual do DEM.Já Tatielle montou escritório em São Paulo em 2019, no mesmo ano em que Davi Alcolumbre assumiu a presidência do Congresso. Para VEJA, ela disse que não se recorda de ter conversado com o senador e afirma que não recebeu dinheiro algum.“O Amapá é pequeno, é natural que a gente se encontre com várias pessoas”, desconversou.Na gravação, Tatielle chegou a oferecer ao então deputado usar uma repartição pública como base de apoio político à campanha dele ao Senado.Por meio de sua assessoria, Davi Alcolumbre informou que desconhece o assunto. “Nunca houve nenhuma relação dessa pessoa, Tatielle Pereira de Castro, com o senador”, diz a nota divulgada pelo gabinete do parlamentar.Tags: AlcolumbreAlcolumbre salário ex-funcionária TJ-APex-funcionáriasalárioTJ-AP
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Gazeta Brasil
Nesta quarta-feira (2), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), rebateu as críticas que tem recebido por segurar pedidos de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Durante declaração em sessão da Casa, o senador lembrou pediram dinheiro para a produção de um filme.
Alcolumbre foi cobrado após a revelação de diálogos envolvendo Moraes e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. As conversas mostram Vorcaro falando sobre temas sensíveis com o ministro, como a possibilidade de prisão.
Ao comentar as cobranças, Alcolumbre disse que o pedido de recursos para a produção do filme também foi feito a Vorcaro.
– Eu vou voltar para a pauta porque senão, terei que responder muitas agressões que, como presidente do Senado, estou recebendo nos últimos dias. Apenas um comentário, no momento adequado eu vou falar, todo mundo esqueceu que pediram R$ 130 milhões para a mesma pessoa para fazer um filme. E agora o culpado culpado é só o ministro Alexandre de Moraes – afirmou.
Alcolumbre sai em defesa de Moraes:
“Todo mundo esqueceu que pediram R$ 130 milhões para a mesma pessoa (Vorcaro) para fazer um filme. E agora o culpado é só o ministro Alexandre de Moraes. Mas eu vou fazer um relato de tudo que eu quero falar.” pic.twitter.com/F5s9enXiBU