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VÍDEO: Fachin fala pela primeira vez após Moraes ser exposto em mensagens de Vorcaro

O banqueiro demonstra receio de ser alvo da PF e aparenta ter informações privilegiadas sobre o andamento das apurações.

   O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, afirmou nesta quarta-feira (2) que vai anunciar “medidas cabíveis e necessárias” após a revelação de mensagens enviadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes. Fachin disse em discurso que vai adotar as ações “no tempo devido e sem precipitação”. 

“Em momentos de especial gravidade, é dever de todos preservar a integridade do Supremo Tribunal Federal, a autoridade de suas decisões, o respeito às suas normas e, acima de tudo, a confiança da sociedade na instituição”, afirmou. “Os indícios reclamam o devido encaminhamento institucional. Circunstâncias relacionadas, de um lado, à atuação processual e, de outro, a sérios elementos de fatos que exigem desta Presidência serenidade, responsabilidade e firmeza”, declarou.

O que mostram as mensagens

Relatório da Polícia Federal (PF) aponta que Vorcaro apelou a Moraes, no auge da crise do Banco Master, para se livrar do cerco de autoridades. Durante um período de 13 dias, mensagens extraídas do celular do banqueiro mostram que ele pediu a intervenção do magistrado para impedir a liquidação do banco e o avanço das investigações. Vorcaro faz apelos para “sensibilizar” autoridades e pergunta sobre como deveria proceder para “desarmar” e “reverter” a situação.

Os diálogos constam de um relatório produzido a partir da análise do aparelho de Vorcaro. O banqueiro escrevia o texto em um bloco de notas, fazia uma captura de tela e enviava a imagem de visualização única a Moraes.

Pedido para “sensibilizar” o diretor da PF

No dia 16 de novembro de 2025, a troca de mensagens entre Vorcaro e Moraes foi intensa. O banqueiro fez um pedido a Moraes para que ele tentasse “sensibilizar” o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.

“Se o Andrei conseguir atrasar pra outra semana, pois tem feriado, o banco não quebra. Tenta chamar ele e sensibilizar isso se achar possível”, diz o print. Na sequência, Vorcaro pergunta: “Você acha que existe alguma chance disso acontecer amanhã de manhã”. O banqueiro demonstra receio de ser alvo da PF e aparenta ter informações privilegiadas sobre o andamento das apurações. Ele tentava ganhar tempo para vender os ativos do Master a um consórcio com fundos dos Emirados Árabes, negócio que não prosperou por causa da Operação Compliance Zero.

Horas antes da prisão

No dia 17 de novembro de 2025, Vorcaro enviou uma mensagem a Moraes perguntando se havia “alguma novidade”. “Conseguiu ter notícia ou bloquear?”. Ele foi preso algumas horas depois no Aeroporto Internacional de Guarulhos, ao tentar embarcar para Dubai.

Vorcaro também pediu ajuda a Moraes para marcar um encontro com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, com receio de que o Master fosse liquidado extrajudicialmente — o que ocorreu dois dias depois. “Tentar que o Galípolo me receba e eu apresente o que vamos protocolar essa semana. Vamos resolver tudo. Não podem estourar uma bomba atômica na hora da solução, não faz sentido pra ninguém”, diz o print. No mesmo dia, o banqueiro se diz “perplexo e indignado” e ressalta a necessidade de “dar um jeito de desarmar isso”.

Em 15 de novembro, Vorcaro pergunta se não é possível reverter a situação com o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Ele também questiona sobre a posição do juiz Ricardo Soares Leite, que assinaria o mandado de prisão. “Que loucura, bem na semana que estou resolvendo tudo. Aquele mesmo juiz Ricardo? E o Galípolo tá sabendo? Conseguimos fazer algo? Acha que segunda já tenho que estar fora?”, diz. “Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei?”.

No dia 14 de novembro, Vorcaro destaca sua gratidão a Moraes: “Estamos juntos sempre. Você sabe que tenho gratidão da minha vida a você. Toda minha família, funcionários, parceiros, amigos que dependem de nós tem uma dívida de vida contigo e com a sua família”. Em 7 de novembro, pergunta sobre estratégias em uma ação na Justiça. No dia 5, envia perguntas e diz que não faria nada sem o aval do ministro.

Relatórios anteriores apontam que Vorcaro tinha acesso indevido a sistemas internos da PF, do MPF e do FBI. Moraes chegou a responder algumas mensagens, mas o conteúdo não é conhecido porque ele também usava visualização única.

Fachin pode optar por arquivar o caso ou levá-lo ao plenário do STF. O procurador-geral Paulo Gonet já pediu o arquivamento, mas o relator André Mendonça não é obrigado a seguir essa opinião. O placar no STF está em 3 votos contra investigar Moraes, 3 a favor e 4 indefinidos. A decisão de Fachin é aguardada com atenção, pois pode definir o futuro político de Moraes na Corte.

 

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