Levantamento aponta que 75% rejeitam campanha “Vai, Brasa”
Novo uniforme da Nike para a Seleção Brasileira gerou muita polêmica nas redes sociais

Um levantamento feito pela doutora em Marketing e professora da FGV, Lilian Carvalho, em parceria com a Polis Consulting, mostra que 75% dos usuários das redes sociais reprovaram a campanha “Vai, Brasa”, da Nike, lançada para divulgar a nova camisa da Seleção Brasileira.
De acordo com o estudo, 40% das manifestações nas redes demonstraram sentimento de “raiva”, enquanto 32% expressaram “nojo”. A principal crítica foi direcionada ao uso do termo “Brasa”, abreviação informal para “Brasil”.
– Quem se posicionou contra o uso do “Brasa” argumenta que isso descaracteriza a tradição da Seleção e que “Brasil”, entoado nas arquibancadas, tem um peso emocional insubstituível. Já os comentários a favor apontam para uma atualização natural da linguagem digital e para o alinhamento com públicos jovens e conectados – afirmou Carvalho.
Segundo o levantamento, apenas 3% das publicações tiveram avaliação positiva, associada ao sentimento de “alegria”. Outros 22% dos comentários foram classificados como neutros.
Para a pesquisadora, o problema da campanha não está no design da camisa, mas na tentativa de alterar um símbolo tradicional do futebol sem forte identificação popular.
– É justamente por mexer como uma tradição que o “Brasa” soa deslocado. Não se trata apenas de uma discussão estética ou geracional, mas de entender que certos símbolos e palavras carregam uma memória coletiva que não se atualiza por decreto de branding. “Brasa” pode funcionar como gíria de rede social, hashtag ou apelido carinhoso entre torcedores, mas, estampado como marca oficial no uniforme da Seleção, entra em choque com a própria força da palavra “Brasil” – explicou.
Carvalho também afirma que a rejeição não indica necessariamente resistência ao novo, mas incômodo com mudanças em um símbolo considerado consensual no país.
– A Nike parece ter entendido isso quando recuou do uniforme vermelho. Se insistir no “Brasa”, corre o risco de transformar um símbolo de unidade em mais um motivo de ruído, o que, para uma camisa que sempre falou por si, talvez se torne em um grande fiasco – finalizou.
O estudo analisou cerca de 180 mil publicações relacionadas à campanha nas redes sociais. As menções foram feitas entre os dias 21 e 25 de março em plataformas como Instagram, Facebook e X. As informações são do MKT Esportivo.
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