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Soja: colheita finaliza com cautela para nova safra

Em abril, as exportações de soja somaram 13,5 milhões

   A colheita de soja no Brasil está praticamente finalizada, segundo análise da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (Ceema), divulgada na quinta-feira (8). “Restam poucas áreas em colheita no Rio Grande do Sul”, aponta o levantamento, que Cobre o período de 2 a 8 de maio.

De acordo com o Ceema, produtores aumentaram as vendas nas últimas semanas para cumprir compromissos de custeio com vencimento no final de abril, o que ampliou a oferta sem que a demanda acompanhasse o movimento.

A safra final brasileira foi estimada em 168,4 milhões de toneladas por analistas privados, número semelhante ao indicado recentemente pela Abiove. O Mato Grosso pode responder por mais de 50 milhões de toneladas do total nacional. “Se não fosse a forte perda gaúcha, perto de 11 milhões de toneladas, a produção teria se aproximado de 180 milhões de toneladas”, observa o relatório.

As exportações continuam estimadas em 107 milhões de toneladas para o ano comercial atual. A projeção é sustentada pelo cenário de tensões comerciais entre Estados Unidos e China. Ainda assim, os estoques finais brasileiros devem fechar o ciclo em 4,6 milhões de toneladas, conforme estimativa da consultoria StoneX.

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No Mato Grosso, principal estado produtor, o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) projeta crescimento de 1,67% na área plantada para a safra 2025/26, totalizando cerca de 13 milhões de hectares. Segundo o Ceema, “a nova safra será semeada apenas a partir de setembro, mas os produtores demonstram cautela”.

O aumento nos custos de produção é um dos fatores que limitam a expansão da área. A elevação esperada é de 3,75%, com impacto direto na rentabilidade. A produtividade média poderá recuar 8,8%, ficando em 60,5 sacas por hectare. Com isso, a produção no estado tende a alcançar 47,2 milhões de toneladas, o que representa queda de 7,3% em relação à colheita atual.

A exportação brasileira de soja em maio foi estimada pela Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) em 12,6 milhões de toneladas. No mesmo mês do ano passado, o volume foi de 13,47 milhões de toneladas. Em abril, as exportações somaram 13,5 milhões.

Em relação aos custos futuros da safra 2025/26, o levantamento mostra que 60% dos fertilizantes já foram adquiridos pelos produtores. No Mato Grosso, esse percentual sobe para 80%, enquanto no Rio Grande do Sul ainda falta comprar 75% do insumo.

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A pressão ambiental, os juros altos – a Selic subiu para 14,75% ao ano nesta semana – e o crédito mais restrito contribuem para a desaceleração da expansão da área plantada. Estudo da Agrinvest Commodities, baseado em Sorriso (MT), aponta que o custo total por hectare deve saltar de R$ 5.599,08 para R$ 6.598,98. “A margem bruta cairia de R$ 3.025,89 para R$ 2.929,18, e o lucro recuaria 34,1%”, destaca a análise, que prevê lucro de R$ 1.157,47 por hectare na próxima safra.

A expectativa de rentabilidade depende do comportamento climático e da manutenção do preço médio de venda, atualmente estimado em R$ 119,33 por saca. Segundo a Ceema, o cenário pode levar os produtores a investir menos em tecnologia e limitar o crescimento da área semeada, o que impacta a produtividade futura.

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