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Ciro diz que omissão do Brasil entregou facções aos EUA

O ex-ministro explicou que 20 anos de leniência estatal permitiram ação de Washington contra o crime organizado

    Em pronunciamento realizado, o ex-ministro e pré-candidato ao governo do Ceará pelo PSDB, Ciro Gomes, apontou que o cenário atual é o resultado direto de 20 anos de falhas e omissões das autoridades brasileiras no enfrentamento direto ao crime organizado.

A nova designação estabelecida por Washington (que rotula Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital como “terroristas globais especialmente designados”) não resultará em intervenção militar em território brasileiro, conforme esclarecido pelo político. 

O impacto real da medida recairá sobre o estrangulamento financeiro das organizações. 

O governo norte-americano passará a aplicar bloqueios de contas bancárias, restrições a movimentações financeiras no exterior e o congelamento de ativos que utilizem o sistema bancário sob a influência dos Estados Unidos.

De acordo com o relato do ex-governador, a falta de um combate eficiente ao longo das últimas duas décadas permitiu que as facções deixassem de operar apenas no mercado ilícito tradicional para se infiltrar ativamente na economia formal. 

Os grupos expandiram seus tentáculos para o sistema financeiro e passaram a apresentar infiltrações nas estruturas políticas regionais, com destaque para a situação observada no estado do Ceará. 

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Vinte anos de omissão no Brasil acabaram vulnerando o nosso país a uma potência estrangeira declarar isso, que transforma no interesse deles a mudança institucional de enfrentamento desse problema”, declarou. 

A movimentação de recursos bilionários por parte dessas organizações ocorre majoritariamente por meio de transações bancárias complexas, e não através do transporte físico de dinheiro vivo. 

A ofensiva externa mira justamente os mecanismos de lavagem de dinheiro, gerando forte preocupação entre as lideranças das facções pelo risco iminente de perda de patrimônio internacional.

Para operacionalizar o cerco financeiro, a administração norte-americana poderá recorrer a legislações consolidadas no combate ao crime continuado, como a Lei RICO (Racketeer Influenced and Corrupt Organizations Act). 

Esse dispositivo permite punir severamente não apenas os integrantes diretos das facções, mas também indivíduos, instituições financeiras e empresas que mantenham relações comerciais ou prestem serviços de ocultação de bens para essas entidades.

Enquanto a medida é monitorada com ressalvas pelo Palácio do Planalto, sob o argumento de potenciais precedentes contra a soberania regulatória nacional, as sanções internacionais expõem a necessidade de uma revisão profunda nos métodos de monitoramento das fronteiras e do fluxo de capitais que alimentam a criminalidade no Brasil.

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