Juntos, candidatos da “3ª via” não chegaram a 8% dos votos
Segundo turno será entre Flávio Bolsonaro e Lula

Nenhum dos candidatos à Presidência da República que não avançaram para o segundo turno da eleição ultrapassou 3% dos votos válidos neste domingo (4). Com os resultados somados, Augusto Cury, (Avante), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) obtiveram 7,58% da preferência do eleitorado.
O candidato do Avante, que chegou a registrar 11% das intenções de voto em agosto e seguiu alcançando dois dígitos em levantamentos até o início de setembro, recebeu 2,9% dos votos válidos neste domingo.
Cury votou por volta das 11 horas de ontem, em Colina, no interior de São Paulo, afirmando esperar uma “surpresa positiva” na eleição. Com 99,88% das urnas apuradas, o escritor concentrava 3,4 milhões de votos.
Depois de votar, Cury afirmou a jornalistas que o cenário político atual gera preocupação entre os brasileiros em relação ao futuro do país.
Após a apuração, o candidato do Avante publicou uma nota em que declarou torcer para que o vencedor da eleição presidencial “governe pensando em um Brasil de esperança”, mas não declarou se apoiará o candidato do Partido dos Trabalhadores (PT), Luiz Inácio Lula da Silva, ou do Partido Liberal (PL), Flávio Bolsonaro, no segundo turno da eleição.
– Quem ganhar, torço para que governe pensando em um Brasil de esperança. Que considere as ideias e os projetos que apresentamos para construir um país mais justo, e que governe com inteligência e senso de justiça, tendo como prioridade as dores de mais de 210 milhões de brasileiros – escreveu.
Na nota, Cury cumprimentou “os dois candidatos que conquistaram, nas urnas, o direito de disputar o segundo turno”.
RENAN
O candidato do Missão à Presidência obteve 2,25% da preferência do eleitorado, alcançando mais de 2,6 milhões de votos. Renan votou na manhã de domingo, na Zona Sul de São Paulo. Ele chegou à seção eleitoral, no bairro de Vila Friburgo, por volta das 10h30, acompanhado de apoiadores.
Ao chegar para votar, o candidato do Missão afirmou que a eleição de 2026 foi a mais “bizarra de todas”.
– Vocês estão presenciando a eleição mais estranha desde a redemocratização. É a pior eleição desde a redemocratização – disse o candidato.
Renan criticou a ausência de debates ao longo da campanha.
– Foi uma eleição vazia, e ela foi construída para ser uma eleição vazia, porque as forças políticas que são majoritárias estão envolvidas em escândalos de corrupção gigantescos e não querem a discussão – afirmou.
E completou:
– Foi uma eleição em que os candidatos fingiram demência o tempo todo.
CAIADO
Após a consolidação do resultado da eleição, o ex-governador de Goiás e candidato do Partido Social Democrático (PSD) afirmou que se manifestará sobre seu posicionamento no segundo turno apenas após se reunir com o presidente do seu partido, Gilberto Kassab (PSD).
– Vou guardar a minha coerência. Não vou me pronunciar sem me reunir com Kassab – afirmou Caiado numa entrevista coletiva.
Caiado ficou em quinto lugar na disputa presidencial com mais de 2,6 milhões de votos (2,19%).
ZEMA
O presidenciável do Novo terminou a disputa ao Palácio do Planalto em sexto lugar, com pouco mais de 326 mil votos no primeiro turno (0,27%). O resultado, o pior de seu partido em uma corrida presidencial desde sua estreia, em 2018, significou uma derrota pessoal para o ex-governador de Minas.
Zema entrou na cabine de votação, em Araxá (MG), segurando um celular, o que é proibido. O Ministério Público Eleitoral (MPE) ingressou com uma ação contra o candidato após ele ser flagrado com o aparelho em mãos diante da urna.
O postulante do Novo ironizou a ação nas redes sociais.
– Mas se eu tivesse roubado um celular e falasse que era pra comprar uma cervejinha estaria tudo bem. Mais um dia de Brasil – postou no X.
Anteriormente, Zema disse que não havia sido alertado pelos mesários sobre a proibição e negou ter feito fotografias ou registros durante o voto. O Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) informou que o episódio será apurado.
O ministro Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) afirmou que intercorrências com celular são comuns e afirmou que a Justiça Eleitoral tomará providências.
Zema afirmou que não foi alertado sobre o veto ao uso do aparelho e disse que havia temas mais importantes para serem debatidos na eleição.
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