The Economist diz que STF virou ameaça à democracia brasileira
Revista publicou artigo intitulado "Quando os defensores da democracia viram as costas para ela"

A crise no Supremo Tribunal Federal (STF) virou pauta na revista britânica The Economist nesta quinta-feira (10). No artigo intitulado Quando os defensores da democracia viram as costas para ela, o periódico afirma que a Corte está no centro de um “escândalo de corrupção desagradável e cada vez maior”.
O veículo de imprensa relata as conversas entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, descrito pela revista como “playboy” e “maior fraudador da história do Brasil”.
– O fato de um poderoso ministro do Supremo ter qualquer ligação com o maior fraudador do Brasil já é decepcionante. Pior ainda é a reação de Moraes. Quando os vínculos entre os dois vieram à tona pela primeira vez, o presidente do tribunal, Edson Fachin, propôs a adoção de um código de ética que, entre outras medidas, obrigaria os ministros a prestar contas sobre rendimentos obtidos fora do tribunal. Moraes debochou da ideia – pontuou.
A The Economist também afirma que Moraes tomou “várias decisões questionáveis”, ao “acumular os papéis de vítima, acusador e juiz” no Inquérito das Fake News. A revista afirma que a sociedade brasileira fez vista grossa para os excessos do ministro em razão do que chamou de “ameaça maior”, citando o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e uma tentativa de golpe de Estado.
O veículo também cita o ministro André Mendonça, relator do caso do Banco Master, dizendo que quando ele era ministro da Justiça de Bolsonaro “supervisionou a elaboração de um dossiê sobre centenas de policiais e acadêmicos que” o ex-presidente “considerava inimigos”.
A revista afirma que diante da aproximação das eleições, “os defensores da democracia [ministros do STF] se tornaram uma ameaça” e que a Corte virou palco de uma “disputa a céu aberto”.
– Os erros processuais de Mendonça e as tentativas descaradas de Moraes de se proteger também poderiam fornecer justificativa jurídica para encerrar toda a investigação sobre o Banco Master – disse.
A matéria adiciona que caso a apuração fosse comprometida, o maior perdedor seria a democracia, e os beneficiados dezenas de autoridades corruptas.
Por fim, a The Economist chama o caso de “tragédia do Brasil” e declara que a “corrupção no coração de suas instituições pode enfraquecer a confiança na democracia mais do que Bolsonaro jamais conseguiu”.
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