Rui Costa e Jaques Wagner são citados em esquema que beneficiou sócio de Vorcaro
Investigação aponta que o cartão Credcesta, voltado a servidores públicos baianos, foi a origem do esquema financeiro que se espalhou por 24 estados; Jaques Wagner também é investigado por emenda de benefício.

Decretos assinados durante o governo de Rui Costa (PT) na Bahia favoreceram o empresário Augusto Lima no mercado de crédito consignado. O empresário, que posteriormente tornou-se sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, prosperou no setor logo após as mudanças regulatórias no estado. A informação foi revelada nesta segunda-feira (10) pelo portal Poder360 e confirmada por relatórios da Polícia Federal (PF) tornados públicos pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
De acordo com as investigações, a gênese da relação entre a cúpula petista baiana e o empresário reside no cartão Credcesta, criado para conceder empréstimos consignados a funcionários públicos estaduais. O Credcesta foi arrematado por Augusto Lima e outros sócios durante o processo de privatização da Ebal (Empresa Baiana de Alimentos).
Mudanças cirúrgicas nos decretos Segundo a apuração, apenas 16 dias após a venda da estatal baiana, o governo estadual publicou decretos que alteraram drasticamente o funcionamento do Credcesta. O cartão, que originalmente era restrito à compra de alimentos, foi autorizado a oferecer crédito consignado financeiro. As novas regras também ampliaram a margem consignável — a fatia da renda dos servidores que poderia ser comprometida com as parcelas.
Sob o novo formato, a taxa de juros cobrada chegou a 5% ao mês, patamar considerado abusivo e significativamente acima do praticado pelo mercado para o funcionalismo público.
A origem do “Império Master” Para os investigadores da PF, o Credcesta é a célula original do esquema do Banco Master. Após o sucesso financeiro da operação na Bahia, Augusto Lima uniu forças com o banqueiro Daniel Vorcaro, replicando o modelo de negócios de crédito em 24 estados e em mais de 170 municípios brasileiros.
A PF detalha que, no momento do leilão da Ebal, o mercado não tinha conhecimento de que as regras do Credcesta seriam afrouxadas por decreto logo em seguida, o que limitou a concorrência e beneficiou diretamente o grupo de Augusto Lima.
Jaques Wagner na mira por atuação no Senado O relatório da PF também aponta tentáculos do esquema no Congresso Nacional. Segundo os agentes, o senador Jaques Wagner (PT-BA) apresentou, em março de 2022, uma emenda a uma Medida Provisória (MP) que, sob o pretexto de estabelecer um teto para os juros do consignado, na prática blindaria as operações e beneficiaria as altas taxas cobradas pelo Banco Master. A Polícia Federal apura se houve contrapartida política na atuação do parlamentar.
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