Pesquisa aponta reprovação de Lula, mas mostra empate técnico com Flávio em simulação de segundo turno
Pesquisa aponta reprovação de Lula, mas cenário eleitoral permanece equilibrado

Levantamento realizado pelo instituto Futura, em parceria com a 100% Cidades, divulgado nesta sexta-feira (11), mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é reprovado por 51,2% dos brasileiros. Outros 45,4% aprovam sua administração, enquanto 3,4% não souberam ou não quiseram responder.
Avaliação do governo
Na avaliação qualitativa da gestão, 45% dos entrevistados classificaram o governo como “ruim” ou “péssimo”. Para 36,4%, a administração é “ótima” ou “boa”. Outros 17,1% consideram o governo “regular”, e 1,5% não respondeu.
A pesquisa ouviu 2 mil eleitores de todo o país entre os dias 4 e 10 de setembro, por meio de entrevistas telefônicas. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi custeado pelo próprio instituto e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-02322/2026.
Reprovação não determina, sozinha, o resultado eleitoral
Os números podem parecer contraditórios quando comparados a outras pesquisas eleitorais. Um levantamento BTG/Nexus, por exemplo, aponta crescimento de Flávio em simulações de segundo turno, passando de 41% para 46% e alcançando um empate técnico com Lula.
No entanto, índices de aprovação e intenção de voto medem fenômenos diferentes. A aprovação reflete a avaliação do governo em determinado momento. Já a intenção de voto considera uma disputa específica, com candidatos definidos e estratégias eleitorais próprias. Um eleitor pode desaprovar a administração, mas ainda assim não se sentir representado por um candidato de oposição ou preferir Lula em um eventual segundo turno.
Além disso, pesquisas de avaliação geralmente apresentam três alternativas — aprova, reprova ou não sabe —, enquanto levantamentos eleitorais podem incluir votos brancos, nulos, indecisos e diferentes nomes na disputa. A distribuição desses grupos pode alterar significativamente os resultados.
Comícios não são amostra estatística
A percepção sobre o tamanho dos comícios também deve ser analisada com cautela. Eventos públicos mobilizam grupos mais engajados politicamente e não representam, necessariamente, o conjunto do eleitorado. Um ato lotado pode indicar capacidade de mobilização, mas não permite concluir quantos eleitores estão dispostos a votar naquele candidato.
Da mesma forma, um evento esvaziado pode refletir problemas de organização, horário, local, condições climáticas ou menor mobilização naquele momento — e não obrigatoriamente uma rejeição majoritária ao candidato.
Há algo errado nas pesquisas?
A diferença entre os números não é, por si só, prova de erro. É necessário comparar a metodologia, o período de realização, o questionário, o universo pesquisado e a margem de erro de cada levantamento.
Também é importante observar que uma reprovação de 51,2% não significa que todos esses eleitores votariam automaticamente em um adversário de Lula. A oposição precisa transformar a insatisfação com o governo em intenção de voto, tarefa que depende da apresentação de um candidato competitivo, da rejeição dos demais nomes e da capacidade de conquistar eleitores indecisos ou moderados.
Portanto, os dados indicam um cenário de desgaste do governo, mas não permitem concluir, isoladamente, que Lula esteja derrotado. A aparente contradição entre a avaliação negativa da gestão e o equilíbrio em simulações eleitorais pode ser explicada pela fragmentação do eleitorado, pela ausência de um adversário consolidado e pelas diferenças metodológicas entre as pesquisas.






