Israel e Líbano aceitam prorrogar cessar-fogo por três semanas após mediação de Trump
O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, condiciona o acordo final à “retirada total” das tropas israelenses, que atualmente ocupam uma faixa de dez quilômetros no sul do Líbano.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quinta-feira (23) a extensão por mais três semanas do cessar-fogo entre Israel e Líbano. A decisão foi tomada após uma reunião no Salão Oval com representantes de alto escalão de ambos os países, classificada por Trump como “muito histórica”.
A trégua, que entrou em vigor originalmente no dia 16 de abril com prazo de dez dias, agora seguirá vigente até meados de maio. O objetivo é garantir tempo para que as negociações avancem em direção a um acordo de paz definitivo.
“A reunião foi um sucesso! Os Estados Unidos colaborarão com o Líbano para ajudá-lo a se proteger do Hezbollah”, escreveu o presidente em sua rede social, Truth Social.
O encontro na Casa Branca marcou a segunda rodada de conversas diretas entre os dois países em três décadas — nações que tecnicamente permanecem em estado de guerra desde 1948.
Participaram da cúpula figuras centrais da administração Trump, como o vice-presidente JD Vance, o secretário de Estado Marco Rubio e os embaixadores Mike Huckabee (Israel) e Michel Issa (Líbano). Pelo lado dos países em conflito, estiveram presentes os embaixadores Nada Hamadeh Moawad (Líbano) e Yechiel Leiter (Israel). Trump indicou que espera receber em breve o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente libanês, Joseph Aoun.
O fator Hezbollah e os desafios da paz
Apesar do otimismo de Washington, o caminho para a paz enfrenta obstáculos severos:
Desarmamento: O eixo central das demandas de Israel é o desarmamento do Hezbollah. O chanceler israelense, Gideon Saar, afirmou que “o único obstáculo para a paz é o Hezbollah”, classificando o Líbano como um “Estado falido sob ocupação iraniana”.
Resistência armada: Wafiq Safa, membro do conselho político do Hezbollah, declarou à agência AP que o grupo não acatará nenhum acordo vindo dessas conversas.
Violações: Desde o início da trégua, em 16 de abril, incidentes isolados foram registrados, incluindo lançamentos de drones e foguetes atribuídos ao grupo extremista.
Retirada de tropas: O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, condiciona o acordo final à “retirada total” das tropas israelenses, que atualmente ocupam uma faixa de dez quilômetros no sul do Líbano.
Contexto de devastação
A atual rodada de negociações tenta encerrar um conflito que se intensificou em março de 2026. Segundo dados da agência AP, os confrontos mais recentes deixaram cerca de 2.300 mortos no Líbano e provocaram o deslocamento de mais de um milhão de pessoas.
O sucesso desta extensão de três semanas determinará se o diálogo resultará em um marco diplomático sem precedentes — superando o fracasso do acordo de 1983 — ou se será apenas mais uma pausa frágil em um conflito que já dura décadas.
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