Gilmar ataca Janot, ex-PGR que já falou em ‘dar um tiro’ no ministro
Episódio relembra rusgas entre ministro e ex-chefe do Ministério Público Federal na época da Lava Jato

No último dia 14 de abril, em uma famigerada sessão da 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Gilmar Mendes resolveu desferir ataques às mais diversas figuras do cenário político, judiciário e midiático brasileiro. Na ocasião, revoltado por ter sido alvo de um pedido de indiciamento proposto pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE) em seu relatório na CPI do Crime Organizado, o magistrado lembrou até mesmo de um nome do poder que está há algum tempo longe dos noticiários: o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot.
A lembrança ao nome de Janot apareceu enquanto o ministro afirmava que o momento atual, permeado por denúncias contra ministros do Supremo que culminaram no relatório da CPI, teria um “quê de lavajatismo”. Ao citar a operação, o ministro afirmou que ela fazia lembrar do senador Sergio Moro (PL-PR), do ex-deputado Deltan Dallagnol (Novo) e de Janot, a quem Gilmar classificou como “um alcoólatra” e disse que aparecia bêbado às 15h.
– Lavajatismo lembra Moro, lembra Dallagnol, lembra Janot, de triste memória. Ou alguém não sabe que, às três horas da tarde, Janot já estava bêbado? (…). O herói de então, o Janot, era essa triste figura, que a partir das três horas da tarde convidava seus interlocutores para tomar uma grapa e que no final do dia já estava bêbado. Claro que o constituinte de [19]88 não poderia supor que daria a Procuradoria-Geral da República o poder a um alcoólatra. Mas assim se fez – disse.
EX-PGR JÁ FALOU EM “DAR UM TIRO” EM GILMAR
Chefe da Procuradoria-Geral da República (PGR) entre 2013 e 2017, Rodrigo Janot esteve à frente do Ministério Público Federal (MPF) em um dos períodos de maior notoriedade da Operação Lava Jato, quando, por exemplo, foram entregues ao STF dezenas de acordos de delação premiada de executivos da empreiteira Odebrecht, hoje Novonor.
Após sua participação na Lava Jato, o ex-líder da PGR protagonizou uma forte declaração em entrevista à Veja publicada em 2019. Na época, o ex-procurador-geral da República disse que chegou a pensar em “dar um tiro” no ministro Gilmar Mendes, mas relatou que, apesar de ter chegado a engatilhar a arma e ficado a poucos metros de Mendes, não conseguiu atirar. O episódio teria ocorrido em 2017.
– Quando cheguei à antessala do plenário, para minha surpresa, ele já estava lá. Não pensei duas vezes. Tirei a minha pistola da cintura, engatilhei, mantive-a encostada à perna e fui para cima dele. Mas algo estranho aconteceu. Quando procurei o gatilho, meu dedo indicador ficou paralisado. Eu sou destro. Mudei de mão. Tentei posicionar a pistola na mão esquerda, mas meu dedo paralisou de novo. Nesse momento, eu estava a menos de dois metros dele. Não erro um tiro nessa distância. Pensei: “Isso é um sinal”. Acho que ele nem percebeu que esteve perto da morte – disse Janot.
Na época, o ministro do STF e Janot protagonizavam trocas constantes de críticas públicas. O ex-PGR disse, porém, que o fato que o levou a ter chegado ao limite foi quando, segundo ele, Gilmar envolveu sua filha em um dos imbróglios entre eles.
O episódio sobre o plano de atirar no ministro também foi narrado por Janot no livro Nada Menos que Tudo, que ele lançou em 2019. Entretanto, na obra ele não citou o nome de Gilmar Mendes. Na época, ao saber da notícia, o ministro do STF sugeriu que o ex-PGR procurasse “ajuda psiquiátrica”.
– Se a divergência com um ministro do Supremo o expôs a tais tentações tresloucadas, imagino como conduziu ações penais de pessoas que ministros do Supremo não eram. Afinal, certamente não tem medo de assassinar reputações quem confessa a intenção de assassinar um membro da Corte Constitucional do país. Recomendo que procure ajuda psiquiátrica – disse Gilmar.
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