Operação Arco de Fogo: Combate ao Desmatamento Ilegal e Exploração de madeira no Norte de Mato Grosso, em especial em Marcelândia
Muitas empresas do setor madeireiro foram fechadas, e várias pessoas foram presas, algumas ainda respondendo a processos judiciais até hoje.

O Portal de Notícias Cidade News Online está preparando uma série de reportagens sobre fatos que ocorreram em Marcelândia durante os 40 anos de sua emancipação política e administrativa. Acompanhe.
Operação Arco de Fogo em abril do ano de 2008
Iniciada em 2008, a Operação Arco de Fogo representou uma ação federal conjunta envolvendo a Polícia Federal (PF), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a Força Nacional, com o objetivo de combater o desmatamento ilegal e a exploração madeireira clandestina na região norte do estado de Mato Grosso, inserida na Amazônia Legal. A operação teve como foco principal as madeireiras e garimpos irregulares, resultando em apreensões de maquinário, madeira e diversas prisões.
Foco e Ações no Mato Grosso
A operação visou reprimir crimes ambientais relacionados ao desmatamento ilegal, comércio clandestino de madeira e exploração irregular de recursos naturais. As ações foram concentradas na fiscalização de serrarias, com conferência rigorosa dos estoques de madeira, além do fechamento de garimpos clandestinos, como o localizado em Peixoto de Azevedo. Nessa localidade, houve a apreensão de tratores utilizados na extração irregular e a prisão de responsáveis pelas atividades ilegais.
Para garantir a eficácia da operação, bases de apoio foram estrategicamente instaladas em cidades-chave da região, como Várzea Grande, Barra do Garças, Sinop e Vila Rica. Além disso, a ação contou com a colaboração ativa de lideranças indígenas, principalmente do povo Cinta Larga, para a fiscalização de áreas protegidas, incluindo a Terra Indígena Serra Morena e o Parque do Aripuanã.
Desdobramentos e Impactos
A Operação Arco de Fogo resultou em multas milionárias aplicadas aos infratores ambientais e na apreensão significativa de madeira ilegal, além da fiscalização intensiva nas estradas utilizadas para o transporte clandestino de produtos florestais. O nome da operação faz referência ao formato do arco de desmatamento detectado por imagens de satélite, que abrangeu os estados de Mato Grosso, Pará e Rondônia.
Em 29 de abril de 2008, a Polícia Federal deflagrou a Operação Termes, desdobramento que investigou a liberação irregular de cargas de madeira extraída ilegalmente. A investigação revelou um esquema que envolvia advogados e servidores públicos de diversos órgãos estaduais, como a Secretaria Estadual do Meio Ambiente, o Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso, a Delegacia Estadual do Meio Ambiente e a Polícia Rodoviária Federal. Entre as irregularidades apuradas estavam o licenciamento fraudulento das madeireiras, a emissão irregular do Certificado de Identificação de Madeira (CIM) e o pagamento de propina a policiais rodoviários federais para facilitar o trânsito das cargas ilegais.
Mobilização e Prisões
Ao todo, 250 policiais federais e 20 agentes da Força Nacional participaram da operação, cumprindo 58 mandados de busca e apreensão e 50 mandados de prisão em várias cidades do estado, incluindo Cuiabá, Várzea Grande, São Félix do Araguaia, Comodoro, Cáceres, Porto Esperidião, Sinop, Colíder, Porto dos Gaúchos, Marcelândia, Cláudia, Alta Floresta, Paranaíta e Aripuanã.

Dentre os presos estavam policiais rodoviários federais de diferentes bases regionais, como Diamantino, Várzea Grande (Trevo do Lagarto), Serra de São Vicente e a saída para Rondonópolis. A lista inclui nomes como Odilon de Brito Filho, Gilson Balesteiro, Mário Tadeu Pinto de Souza e outros oficiais e ex-policial rodoviário envolvidos no esquema ilícito.
Impactos Locais: O Caso de Marcelândia
Em Marcelândia, as operações coordenadas pela SEMA, juntamente com Ibama, Força Nacional e Polícia Federal, resultaram na apreensão de milhares de metros cúbicos de toras de madeira, caminhões e maquinário utilizados na extração ilegal. Muitas empresas do setor madeireiro foram fechadas, e várias pessoas foram presas, algumas ainda respondendo a processos judiciais até hoje.

O município, que celebra 40 anos de existência, enfrentou graves consequências econômicas devido ao fechamento dessas empresas. A economia local entrou em colapso, afetando diretamente o comércio da cidade, com o fechamento de lojas e a migração de comerciantes para outras regiões em busca de melhores oportunidades.
Conclusão
A Operação Arco de Fogo evidenciou a complexidade e a dimensão dos crimes ambientais praticados na região amazônica de Mato Grosso, ressaltando a importância da atuação integrada entre órgãos federais e estaduais, com o apoio das comunidades indígenas locais. Apesar dos impactos econômicos sentidos em municípios dependentes da exploração madeireira, a operação reforçou a necessidade de preservar a floresta e combater práticas ilegais que ameaçam o meio ambiente e o patrimônio público.



