Polícia investiga gin adulterado que deixou jovem cego, três internados e dois mortos em SP
O boletim de ocorrência aponta que as garrafas consumidas foram entregues ao hospital e submetidas a exames, confirmando a presença de metanol, substância altamente tóxica, compatível com os sintomas apresentados pela vítima mais grave.

A Polícia Civil de São Paulo investiga um caso de intoxicação por metanol que deixou quatro jovens — dois homens e duas mulheres, entre 23 e 27 anos — internados após consumirem duas garrafas de gin no último dia 1º de setembro, sábado.
Segundo o boletim de ocorrência, o grupo comprou as bebidas, junto com gelo de coco e energético, em uma adega localizada na Cidade Dutra, Zona Sul da capital, e depois se reuniu na casa de um dos jovens para uma confraternização que durou até cerca das 3h da manhã.
No dia seguinte, o proprietário da residência começou a sentir fortes vômitos e dores abdominais, inicialmente confundidos com ressaca. No entanto, conforme relatado pela tia dele à polícia, o rapaz passou a gritar que estava cego.
Ele foi levado ao Hospital Geral do Grajaú, onde entrou em coma e precisou ser intubado na UTI. No mesmo domingo, foi transferido para o Hospital São Luiz, em Osasco, para sessões de hemodiálise, permanecendo internado em estado grave.
O boletim de ocorrência aponta que as garrafas consumidas foram entregues ao hospital e submetidas a exames, confirmando a presença de metanol, substância altamente tóxica, compatível com os sintomas apresentados pela vítima mais grave.
Após a confirmação, os outros três jovens que participaram da confraternização também foram internados, apresentando tontura, enjoo e visão turva. De acordo com a mãe de uma das jovens, o rapaz na UTI teria ingerido a bebida pura, enquanto os demais a misturaram com gelo e energético.
A Polícia Civil apreendeu as garrafas e os copos utilizados na confraternização e enviou o material para perícia. O laudo do Instituto Médico Legal (IML) deverá confirmar se o gin estava adulterado com metanol.
O gerente da adega onde as bebidas foram compradas prestou depoimento, garantindo que todos os produtos do estabelecimento possuem procedência e nota fiscal. Ele afirmou ainda que o jovem internado já apresentava sinais de embriaguez ao adquirir as bebidas.
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que o 48° Distrito Policial da Cidade Dutra instaurou um inquérito para coletar depoimentos de testemunhas, vítimas e demais envolvidos, além de requisitar exames periciais para esclarecer as circunstâncias do caso.
O caso da Cidade Dutra ocorre em meio a um aumento de intoxicações por metanol no estado. Segundo o Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo, duas pessoas morreram após consumir bebidas alcoólicas adulteradas, uma na capital paulista e outra em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista.
Desde junho deste ano, foram confirmados seis casos de intoxicação por metanol, com dois óbitos, enquanto 10 casos estão sob investigação na capital. Ainda não se sabe como as intoxicações ocorreram.
A Prefeitura de São Bernardo informou que um paciente morreu no Hospital de Urgência por suspeita de contaminação por metanol. Já a vítima da capital paulista, um homem de 54 anos, morreu no dia 15 de setembro após apresentar sintomas em 9 de setembro. Exames ainda aguardam confirmação da contaminação.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública informou que, por meio do Sistema de Alerta Rápido, foram notificados nove casos de intoxicação por metanol em apenas 25 dias no estado de São Paulo, todos relacionados ao consumo de bebidas alcoólicas adulteradas. Segundo o órgão, os casos são considerados fora do padrão, tanto pelo curto período de tempo quanto pelo desvio em relação a incidentes anteriores.
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